Paris pas pour moi!



As lojas de haute couture em Paris parecem diferentes, como se só fizessem sentido ali, naquelas ruas anoréxicas e naqueles prédios altivos com chaminés snobs.
Desconfio que desde essas chaminés snobs, ou então desde as nuvens, porque em Paris há sempre nuvens, pendem uns fios invisíveis que se pegam aos narizes parisienses e os puxam na vertical. Para cima. Muito para cima. Tal que elles et ils caminham assim, como é que se diz, emproados, com os seus narizes repuxados na direcção do céu. Os sapatos não andam, desfilam, como se o passeio molhado e enlameado fosse a passarela da Victoria’s Secret. Não é. Nem os transeuntes são a Giselle Bundchen. Oh mais oui, ils sont de Paris!
E Paris é a cidade das luzes! Onde os dias são cinzentos e frios e os murmúrios da brisa gélida arrepiam os ouvidos.
Pois, como estava a chover não pudemos visitar o melhor que Paris tem, que é a Eurodisney! (Ainda que não seja em Paris).
Privadas de pessoas vestidas de rato Mickey, dos castelos das princesas e da Space Mountain tivemos que nos contentar com a Torre Eiffel, a Vénus de Milo e a Monaliza. A Monaliza, também conhecida como Geoconda. Mas em Paris não. Em Paris ninguém vai ver a Monalisa nem a Gioconda. Os visitantes do Louvre, têm o privilégio de ver “La Jocónde”uh la la!
Longe do glamour da “Jocónde”, para os lados de Monmartre, desagua uma avenida cuja fachada de todos as lojas conflui num só estilo: erótico/pornográfico.



Fomos lá dar por acaso, verdade se diga. Depois de considerar que o Sacre Coeur era muito mais bonito visto de baixo (não valia nada a pena subir as escadas), marchámos em busca de um restaurante para jantar por menos de 15€ o prato. E, de repente, não mais que de repente, estávamos à porta do legendário Moulin Rouge, onde um autocarro turístico acabava de descarregar uma vintena de japoneses.



A rua do Moulin Rouge é, no fundo, uma Eurodsiney com bolinha vermelha, que oferece todo o tipo de divertimentos eróticos e de tapa mamilos também (desconheço o nome técnico do adereço em questão). Restaurantes a menos de 15€ o prato é que não. Mudámos de rua e acabámos num bar de esquina. Mas um bar de uma esquina francesa! Isso sim, a comida em Paris, seja o crepe do vendedor ambulante nos Champs Elyséés seja o prato do dia (9€ um achado!) no bar da esquina, tudo é delicioso! Menos o escargot. Pelo menos para mim, que considero incompatível uma degustação aprazível com algo verde que ainda por cima se vê perfeitamente que tem antenas. Enfim… é estaladiço (aarrgh)!



As noites foram muito típicas sim senhor, entre o bar australiano e a “Favela Chic” não sei qual dos dois o menos francês. O bar australiano é isso mesmo, australiano. A Favela Chic é joli e, além da música brasileira, reproduz na perfeição o calor que se faz sentir, por exemplo, no interior de São Paulo no pico do Verão. E em vez de dançar, as pessoas escorrem ao som da música, o que dá um ar brilhante, resplandecente e avermelhado à tez do rosto. Como viajar no 50 em hora de ponta. Trés chic!
Em Paris não há o 50 e as estações de metro não têm metade do charme das de Lisboa . São feias, não adequadas a passageiros com malas e vendem bilhetes inváçidos. E não foi um nem dois nem três, foi um carnet de 10 que tive que trocar, voltar a trocar no dia seguinte e no dia depois do seguinte outra vez.
Além disso, estava totalmente dependente da amabilidade alheia para circular com a mala no metropolitano e nos comboios. Felizmente há almas caridosas em Paris.
A Ana teve menos sorte e ficou presa nas portas de saída que separam o aeroporto do terminal da estação dos comboios.
Foi um momento quase tão apoteótico como quando subimos à torre Montparnasse e pagámos, 6.50€ e 8€, respectivamente, por um chá e um chocolate quente, só para ver a vista. Nenhum sorriso nas bocas do staff do restaurante e uma promessa não cumprida de uma mesa à janela. Como a Vanessa não pediu nada o empregado passou-nos à frente um grupo de franceses emproados que bebiam champanhe e deu-lhes a mesa alinhada com a Torre Eiffel que, por ordem de espera, seria a nossa.



Não faz mal, a Vanessa declarou que foi o melhor aniversário prolongado dos últimos 24 anos e a alegria de nos encontrarmos em Paris, depois de tantas aventuras compartidas no Erasmus em Itália, apaga qualquer desventura parisiense.

Mas que fique claro que a cidade do amor, a mim, não me conquista.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens