O lindo dia de São Valentim

Diz o meu colega de trabalho cheio de ilusão no olhar: “Vamos festejar o dia de São Valentim! Podemos dar nomes especiais às bebidas por exemplo shots Romeu e Julieta”.
O meu colega de trabalho arranjou uma namorada recentemente. E nem anda exageradamente feliz, por sorte, a namorada é daquelas insuportáveis. Mas, pelos vistos, não é insuportável o suficiente...
Revirei-o com o meu olhar acutilante. Disse-lhe que não.
Não vamos fazer um dia de São Valentim. É ridículo! Somos um bar irlandês! Carnaval do Brasil não há problema. Terças de comida mexicana e sextas de galinha tikka masala também encaixam perfeitamente, mas dia de São Valentim é, nitidamente, um despropósito. Motivos pessoais? O facto de eu saber de antemão que não receberia rosas nem bombons? Nada a ver. Aliás, vetei a proposta em defesa dos interesses de todos os enamorados de Barcelona: quem tivesse como plano trazer a namorada para uma caneca de Guinness seria ostracizado imediatamente pela dita cuja!
Então o que é que eu fiz para impedir finais de relação prematuros e diferenciar-nos da concorrência? Uma festa “anti” dia dos namorados! E não houve cá shots Romeu e Julieta para ninguém.



Não compareci. Fui ao cinema com a Maria ver um filme de terror chamado “Uma historia de São Valentin” e dobrado em espanhol, o que tornou tudo muito mais assustador. Ainda estou para descobrir qual seria a palavra original quando o avô diz ao neto “Sabes uma coisa? Arroz ao contrário lê-se zorra!” (insulto espanhol). Rice ao contrário lê-se” ecir”, portanto, depreendo que não tenha sido uma dobragem literal. Comprámos uns chupa-chupas em forma de coração para assinalar a data e tirámos fotos no cinema com os supramencionados chupa-chupas. Desconfio que passámos por casal lésbico.
Mas para reforçar o quanto eu até sou uma pessoa sensível e sem qualquer complexo com o 14 de Fevereiro, hoje liguei ao meu melhor amigo disposta a saber o fabuloso dia de São Valentim que ele havia proporcionado à sua namorada. Era a primeira vez que ele tinha uma namorada no dia dos namorados.
Resulta que a resposta não foi tão romântica como eu esperava: “Eu? Eu não lhe ofereci nada! Nem estive com ela, está em exames. E já gastei mais de 200€ quando a mulher fez anos, ia lá agora oferecer-lhe uma prenda!”. Mostrei o meu lado mais compreensivo “Pois… parece-me justo. Mas então conta lá o que é que lhe ofereceste nos anos?”. “Oh pah, foram uns sapatos muita caros duma loja nova que ela tinha visto na montra e tinha gostado muito. E um perfume, logo por azar, só havia daqueles frascos grandes do perfume que ela queria, então teve que ser esse. E depois mandei-lhe rosas, gastei 40€ em rosas!!! Eh pah que absurdo o preço das rosas, não fazia ideia que fossem tão caras, fogo! E ainda a levei a almoçar e ela claro, pediu sobremesa…”

Enfim, eu tentei…

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