Quando a terra se revolta...

Sábado de chuva e preguiça aguda. Decido abrir o facebook, para comunicar-me com o mundo exterior. É então que vejo, com as batidas do coração apertadinhas “Paula - Por favor si alguién sabe algo de mi família escribánme…”. Passo os comentários um por um para tentar fazer algum sentido do que acabei de ler. Não, não se percebe bem. Foi alguma tragédia mas por aqui indiscernível se um atentado terrorista se um desastre natural. Jornal online. Tudo explicado. “Parece o fim do mundo. Sismo no Chile mata 120 pessoas. Maior sismo da história do Chile há 50 anos.”
A minha amiga é chilena e está a viver em Barcelona mas toda a família dela vive no Chile. Diz que ainda não conseguiu falar com ninguém. Digo-lhe o que toda a gente já deve ter dito mas que sabe sempre bem ouvir, que avise se precisar de alguma coisa, que de certeza estará tudo bem e que rapidamente já vai conseguir contactar com a família.
Depois, num impulso de identificação com a sua causa, digo-lhe que se fosse comigo, se tivesse havido um desastre assim em Lisboa, Algarve ou São Paulo, e eu não soubesse nada da minha família nem dos meus amigos, estaria em pânico. Vem-me um desespero miudinho só de imaginar. Pelo sim pelo não, abro a secção de Portugal do jornal online, nada de alarmante e a situação na Madeira começa a recompor-se. Alivio, esperança.
Na “Folha de São Paulo” a tragédia é a mesma.
Aqui em Barcelona a minha tragédia pessoal é que hoje foi o primeiro dia de abertura oficial do nosso novo bar na praia e o sol não brilhou nem uma vez para amostra. Céu rezinga e chorão o dia todo. Ninguém na nossa esplêndida esplanada nova.
Mas a terra manteve-se estática e não houve tsunamis. E a minha mãe mandou-me um mail, ainda que só com duas linhas chega para atestar que está tudo bem.
Quando relativizamos as coisas, normalmente o resultado é que afinal, até não estamos tão mal.
Queria só que todas as outras pessoas, vitimas ou familiares de vitimas dos mais recentes hecatombes naturais também pudessem estar bem.
Não há nada que eu possa fazer. A não ser desejar com muita força que as famílias da Paula e dos meus outros amigos chilenos estejam bem, dentro do possível.
Então aqui ficam, publica e expressamente, os meus desejos.

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