"Sesión de presentación del proyecto final del Master DCEI"

11 minutos e 23; 9 minutos e 14; 8 minutos e 56.
Foram tentativas e tentativas contra o relógio. Como se estivesse a treinar afincadamente para as provas de atletismo para os Jogos Olímpicos. Mas em vez de pernas e pés ao descalabro, corriam as palavras e as mãos em gestos meio perdidos, à procura de um sentido nos slides do power point.
Como apresentar 150 páginas de tese em 12 minutos? Com um vídeo que ocupa 2 minutos e 41 segundos? Primeiramente estava toda contente coma ideia do vídeo, que assim eram menos 2 minutos e 41 que tinha de falar em espanhol, sozinha, diante dos jurados e restante multidão. Mas afinal, se 12 minutos já era pouco para condensar toda a informação, 9 minutos e 59 segundos iriam, com certeza, estabelecer um novo recorde.
E não se tratava só de apresentar um trabalho, como nas teses normais. A pessoa chega e explica o que fez, sem demais complicações. Não, quem estuda comunicação não pode chegar e explicar o que fez, tem de chegar e vender o que fez. Tem que explicar à mesma, mas de uma maneira apelativa, criativa, dinâmica. A avaliação da apresentação é feita em “não persuasivo”,”pouco persuasivo”, “persuasivo” e “muito persuasivo”. Como se as nossas teses fossem os vários anúncios de Natal da coca-cola.
Optei por fazer uma apresentação radical, chocante e visual. Tão visual que não estava quase nada escrito no power point, o que é uma péssima ideia para quem não quer falar muito.
Mas eu sou assim, tenho este gosto particularmente masoquista em dificultar e complicar as coisas. Como se a sessão de apresentação pública da tese em espanhol já não fosse suficientemente difícil.
Estava nervosa, claro que estava nervosa, estávamos todos! Mas ainda estava mais ansiosa, queria apresentar, queria acabar com o mestrado de uma vez por todas. Oh mas tive que esperar! Chegámos às 3.30 da tarde e quando saímos já eram 9 da noite.
Por sorte, o tutor dos primeiros trabalhos teve um furo no pneu e a lista de apresentações avançou 5 pessoas, para dar tempo dele chegar e ver a exposição dos seus tutorados. De modo que ainda consegui apresentar antes das 7 da tarde!
Claro que quem era 5º a apresentar e passou para último teve azar. Como quem estava tranquilamente a achar que ia ser 6º e de repente dizem-lhe que vai ser o primeiro. Já!
Mas eu tive sorte.
No princípio, confesso, fiquei preocupada. Reparei que todas as apresentações estavam muito formais e profissionais. A minha tinha a Amy Winehouse, caricaturas do Obama, as maminhas da Heidi Klum e urinóis do avesso, entre outras coisas...
Para não falar em como estavam todos sobria e classicamente vestidos, estilo fato e gravata, e eu de blusa rosa choque e lenço no cabelo estilo fashion hippie.
Chamaram o meu nome. Levantei-me e enfrentei a audiência de frente, sem nenhuma cábula na mão, sem nenhum papelinho para servir de ponto, sem nunca na vida ter estudado espanhol! (Suicídio aqui vou eu)!
Gostava de poder contar os detalhes mas fui imbuída de tal maneira no meu próprio ritmo, no meu próprio espectáculo, que quase não sei o que aconteceu. Só sei que quando me sentei e pensei no que é que podia ter feito melhor, no que é que me tinha esquecido de dizer e no que é que me tinha enganado, não se me ocorreu nada. Absolutamente nada.
Segundo os meus colegas, não podia ter sido melhor. Gostaram muito. Disseram “felicidades”, eles e outras pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Mas pelos vistos tinham todos razão. Quando no final da sessão o meu tutor, presidente do mestrado, fez o seu comentário, quase me vieram as lágrimas aos olhos. Pulou a ordem e deixou-me para último, o que não ajudou a tranquilizar-me. Mas depois… Depois lembro-me que, enquanto ele falava, a Maria Paula olhou para mim com os olhos muito abertos e disse “UAU!”. Outros colegas voltaram-se para sorrir em sinal de aprovação. Lembro-me de pensar no meu pai, porque aquele senhor estava de tal maneira desmandado numa tão eloquente compilação de elogios, que parecia mesmo o meu pai. Gostava que estivessem ali, os meus pais. Ou então não, que provavelmente ao meu pai lhe acontecia alguma coisa no coração da emoção e a minha mãe ia-se pôr a chorar de orgulho.
E depois eu ficaria triste porque a minha mãe estava a chorar.
Não vou contar o que foi que ele disse, pareceria um exercício narcísico de bajulação do self. Digamos que não tive nenhuma crítica negativa, que o meu trabalho foi avaliado como muito bom e a minha apresentação como “Muito persuasiva”.
E agora sou “mestre”. Que mais a mais é um título feio, sem charme nem sintonia na sonoridade das letras.
A minha vida também não mudou, tirando uma dor de barriga impertinente por não ter comido nada desde a hora do almoço, antes da apresentação.
Mas, na verdade, estou feliz. (E a dor de barriga passou).













Comentários

Anónimo disse…
Parabéns!
i disse…
Parabéns babe! Sério! Já és Mestra hehe

E agora?
Laura disse…
Yeahhhhh acabouuuuu ;) congratulations and celebrations!

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