La Belgique!

“Bienvenidos a Barcelona!” (Risos) “Son las 20.30. Welcome to Barcelona!” (risos e silencio……) “Sorry… Brussels!”



Perguntaram-me porquê. Mas porque é que eu tinha de ir à Bélgica? A rádio anunciava 20 graus e um sol como não se via em Barcelona desde Novembro. E eu ia para Bélgica. Onde as máximas ainda estavam demasiado tímidas para ultrapassar os 12 graus e a chuva caía a “pancadas”, citando a pouco optimista previsão meteorológica.
Eu gostava de poder atirar as culpas para cima de alguém, que é sempre muito mais cómodo, mas deu-se o caso desta ida a Bélgica ser responsabilidade exclusiva da minha liberdade de escolha e vontade própria. Viva a revolução francesa!
Ainda que os franceses não sejam muito bem quistos na Bélgica, como aliás não o são em nenhuma parte do mundo que eu conheça, excluindo a França. Só que a Bélgica tem com os franceses uma circunstancia criminal declarada: o roubo das batatas fritas! O mundo inteiro conhece-as como “French fries”, no entanto , são “Belgian fries”. Perde-se parte da sonoridade crocante mas repõem-se a verdade. A culpa é dos americanos! Vieram todos pimpões acabar com a guerra e não se lhes ocorreu estudar o mapa da Europa antes.
Resultado: comeram batatas fritas na Bélgica mas como também se falava francês acharam que ainda estavam em terras de Sarkozy, ou De GAulle, provavelmente mais apropriado tendo em conta o contexto histórico aludido.



Este foi o fait-divers mais curioso que aprendi na minha estadia de 3 noites por quatro dias em Bruxelas com repasso por Bruges, a “Veneza do Norte”.





Também me ensinaram palavras fantásticas em dutch que eu nunca mais conseguirei reproduzir, imagine-se se as vou conseguir exprimir literariamente. Não vou, já decidi.
A questão linguística faz de Bruxelas uma cidade com uma certa patologia bipolar, onde as ruas têm dois nomes e as pessoas têm de se questionar antes de se interpelarem , para saber em que idioma vão comunicar. “Olá bom dia…” não, nada disso. “Falas francês?/ Falas dutch?” e depois então sim, “olá bom dia – pergunta” na língua seleccionada.
Como blogger fidedigna, não poderia escrever sobre a Bélgica sem mencionar as 3.401.993.267(mais coisa menos coisa) lojas de chocolate, arrumadinhas umas a seguir às outras, a seguir às outras, a seguir às outras… Há mais lojas de chocolate do que lojas de souvenirs. Acho que é um caso digno de recorde do Guinness: “ Bélgica – o único país onde as lojinhas de souvenir não lideram o comércio de rua”. Isso e a maleabilidade do chocolate, desconstruído em bombons, coelhinhos e ovinhos de Páscoa, sapatos, peitos, órgãos sexuais e claro, o Manneken Piece! Vi uma escultura maior que a original, toda feita au chocolat. Não é difícil, ressalve-se, porque o menino que faz chichi não me chega ao joelho…



Estranhamento, o que eu gostei mais da Bélgica nem foram os chocolates ou os waffles, nem as batatas fritas ou o “vol au vent au polet” (delicioso prato típico com frango). Foi mesmo o facto de não ter chovido muito! Mais a minha ida à igreja, eu que sou tão religiosa. Pois lá estive, até às 5 da manhã na igreja Spirito. É uma igreja autêntica porém, ligeiramente reformulada: esferas prateadas ao lado dos vitrais, bailarinhas em biquini em vez do coro, bebidas em vez de hóstias, dj em vez do orgão. Mas lá por isso também havia música ao vivo com um senhor que irrompia pela pista a tocar no saxofone os grandes temas conhecidos de todos os fieis by night. Um culto divinal!



Num plano mais terrestre há que destacar a Grand Place, possivelmente mais bonita que a Piazza del Campo, mas não se pode sentar no chão. E não há corridas de cavalos nem uma fonte onde nos podemos banhar até virem os Carabinieri mandar-nos sair de dentro do património mundial da UNESCO.
Aproveitando a deixa nostálgica de recuo à minha cidade Erasmus, o melhor da Bélgica foi voltar a vê-los. O Louis, o Bert, o Michael e a Julie. Os belgas que estiveram comigo na dita Piazza del Campo, na Veneza de Itália e, em suma, nesse para sempre de melhores momentos. Que 3 anos depois, continua a proporcionar-nos novas lembranças inesquecíveis.

Comentários

i disse…
o mais engraçado é q demorei exactamente o tempo da música paa ler o texto! aposto que estava tudo pensado :P

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