"A minha vida dava um filme"

No fundo, a vida de toda a gente dava um livro e o livro dava um filme. Ou uma série. Uma curta, pelo menos. Um episódio que fosse! Porque os livros e os filmes e as séries são todos excertos de uma produção maior, a realidade. É uma antítese engraçada mas a ficção inspira-se no vizinho do lado, no desconhecido que atravessa a rua, nas histórias dos amigos, nas palavras dos pais e dos avós. Depois, a imaginação encarrega-se de identificar as experiencias, desconstrui-las em ideias adaptadas, diluí-las em contextos específicos e decompô-las em palavras ou imagens, ou ambas.
Para quem não se deixa convencer pela retórica dos meus esboços literários, descreverei aqui alguns episódios, dos muitos de muitos possíveis, que facilmente passariam por uma qualquer cena cómica de ficção:

Recebemos um currículo pela web do site www.ryanspubs.com , como é frequente duas a 3vezes por dia, mínimo. A foto da rapariga era bastante bem parecida. E tinha experiência. Todos os directivos masculinos se exaltaram de contentamento. Chamaram-na para fazer um teste. Conta o Manager que o que lhe apareceu foi um camafeu mais maquilhado que o José Castelo Branco (não que ele saiba quem é, sendo irlandês, mas para vocês fazerem uma ideia) e com pestanas postiças. Pessoalmente, não tenho nada contra as pestanas postiças. O problema é que uma das pestanas postiças da moçoila caiu na bebida de um cliente enquanto ela o servia. Não, não foi contratada…


O editor de desporto de um jornal português, do qual não vou mencionar o nome, veio a Barcelona ver o Barça – Arsenal. Veio, porque eu passei 3 dias em andanças pela cidade e filas para tentar comprar os bilhetes. Discutindo com as funcionárias da FNAC pelas baixas do sistema electrónico (depois de uma hora de fila) mendigando códigos e chaves de amigos com cartão de sócio e embrenhando-me em extensas comunicações com Portugal. Na véspera do jogo, lá se conseguiram comprar os benditos bilhetes pela internet. Quartos de final da competição europeia de clubes de futebol mais importante. O actual campeão em jogo. Excitação global na cidade, o melhor jogador do mundo em aquecimento no campo, a Kylie Minogue na bancada vip, as claques do Barça entoando os seus cânticos, os do arsenal fazendo contra-claque e… não é que o senhor adormeceu?! Ok, o jogo ainda não tinha começado… Mas não vamos por aí, que ele no intervalo voltou a cochilar e já tinha havido golos!


Eu sempre achei a touca o elemento mais anti-estético e pouco afrodisíaco alguma vez inventado para a toilette feminina. Se à touca juntarmos chinelos com meias então, temos o protótipo de como desejamos nunca ser vistas em público. Algumas de nós pelo menos. Mas um SPA não é público e no balneário chinelos com meias é aceitável. Tanto como corpos desnudos, entre trocas de roupa e trocas de fato banho. Pois no SPA disseram à minha amiga Marina (http://margemdeerro.blogspot.com/2010/04/touca-chinelos-e-meias.html) que o balneário era a primeira porta à direita. Esqueceram-se foi de lhe dizer que era um balneário misto e ela só deu por isso quando já estava nua, empunhando apenas a touca na cabeça e os chinelos com meias nos pés, diante de um homem que a fitava atónito. Após alguns minutos de constrangimento, silencio e choque, o senhor saiu e foi fazer queixinhas ao recepcionista. Então veio o recepcionista e, como se ela fosse a defensora número um do top less e uma radical depravada do nudismo como forma de reencontro com a mãe natureza, advertiu-a indignado. Porque ela não podia andar por aí nua, evidentemente que não! Eram balneários mistos! Que falta de civismo! E ela, do meu ponto de vista a grande vítima de toda situação, ainda teve de pedir desculpas porque um homem a viu tal como veio ao mundo, com o bónus da touca e das meias nos chinelos.

Então, quem se atreve a dizer que a realidade não pode ser a musa da ficção?

Comentários

minhoca disse…
aiiiiiiiii aiiiiiiiiiiii Alexandra, obrigado por tornar a minha vergonha do mes ainda mais pública. Ahahahahaha.... Quero esquecer me desta episodio JA! =P

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens