Pensamento do dia

Estava a dançar no meu quarto, em frente ao espelho do armário. Em minha defesa, também estava a arrumar o quarto. E de repente parei (de dançar). Olhei para janela, receosa. A minha janela não tem cortinas. É uma situação temporária. Foi o que eu pensei quando comecei a viver nesta casa, há cerca de um ano e meio. Desde então, é um sobe e desce de persianas cada vez que está na ordem do dia uma mudança de vestuário. Uma pessoa acaba por se habituar. Só que depois há aquelas vezes em que eu tenho que parar abruptamente de dançar para me certificar de que não está nenhum olhar curioso e indiscreto a invadir a minha privacidade. Ou a filmar-me ao longe para fins perversos na internet, vai-se saber!
Então aproximo-me da janela sem cortinas e faço uma metódica revisão às janelas da frente do pátio interior. E encontro-o. Não, não é um amor à primeira vista, nem um homem nu e feio. Porque nem sequer é uma pessoa e nem sequer está lá fora. É esse pensamento latejante que, estando eu ridiculamente especada à janela, vem subindo cá dentro em forma de pergunta impertinente: e se estiverem a olhar, qual é o problema? Na verdade eu até danço bem! E não conheço ninguém. Começo a entender aquilo que eu mesma me estou a dizer a mim própria. Não me importa nada se os vizinhos das janelas da frente me virem a dançar. Além do que, estão a uma distancia segura em relação à possibilidade de qualquer tipo de registo digital. É isso mesmo!
Hoje dei-me conta de que sou uma pessoa cheia de personalidade, confiança e orgulho no seu pijama da Hello Kitty com bolinhas. Não me importa nada o que os outros pensam.
Porque se me importasse, mesmo a sério, já teria comprado cortinas!

Comentários

Anónimo disse…
Muito forte! adorei.

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