Uníssono

A varanda do nosso escritório dá para o chinfrim dos protestos de todas as minorias, desempregados e cidadãos desfavorecidos da Catalunha. A carrinha da TVE é quase um monumento tão presente na Plaza Sant Jaume como o palácio do Ayuntamento de Barcelona. Hoje foi uma manifestação da UGT e uma orquestra de música clássica.
Depois de mais um ano e meio de agitação social constante, sobretudo quando está bom tempo, é a primeira vez que escuto tal coisa. Os megafones da revolta ampliando injustiças sociais, intercalados com interpretações de Mozart e Beethoven ao vivo. Havia pois, dois maestros: o do megafone e o da orquestra.
Não sei se estavam juntos, mas combinaram nos tons. Os cartazes eram amarelos e os instrumentos musicais também, só um bocadinho mais torrado, assim a jogar para o dourado.
Parece-me de boa índole e grande demonstração de pacificidade trazer uma orquestra para uma manifestação. Mas também me parece que a orquestra coincidiu por acaso com a manif porque havia um ovo a dançar numa fonte. De repente parece que entrámos no País das maravilhas da Alice não foi? Só falta dizer que havia um coelho aos pulinhos com um relógio. Que não havia. Lo siento.
Consta que hoje era o dia de uma celebração cristão chamada Corpus e um dos ritos consiste no ovo bailante em cima da fonte, na Catedral. A orquestra de música deve ter sido uma adição póstuma. A proclamação dos direitos dos trabalhadores já entra completamente no Pós-modernismo e nada tem que ver com Cristo. Digo eu, uma leiga da cristandade (porque os meus pais não me deixaram assinar a revista “O Amiguinho” nos meus anos de maior inocência).
Enfim, entre ambos estiveram a tarde toda a dar música. E uns phones para os ouvidos teriam vindo extremamente a propósito…

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