Le joie de vivre em mudança

Chamei-lhe caixinha de bombons. Acampamento cigano teria sido muito mais adequado. Porque na caixinha os bombons estão meticulosamente arrumados, deliciosamente aprumados, cada um no espaço que lhe é confinado. Ora no espaço da minha casa tudo está confinado não a um espaço específico mas aonde haja espaço (ponto).
Foi uma semana de vida encaixotada. Vida despedaçada por sacos de plástico, caixas de cartão, malas de viagem e bolsas de pano. Vida perdida à procura de pedaços de vida desarrumados.
Na caixinha de bombons também não há inundações. Na segunda noite tinha o lava loiça da cozinha a desaguar pelo chão afora. Agora já está tudo bem. Já não tomo banho de água fria porque já sei ligar o gás, já fui ao IKEA, já sintonizei os canais da televisão que acidentalmente tinha desmarcado. Também já durmo com lençóis e almofada ortopédica, ainda que sem fronha. Mas pelo menos tenho talheres. Na primeira manhã despertei com aquela sensação de orgulho e glória que a vaidade nos traz de vez em quando: tinha-me lembrado de comprar leito e cereais para poder tomar o pequeno almoço. Também tinha trazido a tigela. Mas oh que fugazes que são as alegrias, não tinha colher.
De momento, a prioridade são os pratos porque no IKEA estavam mais caros que nas promoções da lojinha da esquina. Faltam ainda umas almofadas e material de recreio para a varanda, à qual também falta uma boa limpeza. Tudo o que outrora possa ter sido um ser vivo, agora parece pertencer a uma paisagem do Saharaa. Excepto as flores da vizinha que também dão para a minha varanda. As flores e os olhos do gato preto. Uma delicia de surpresa trocar olhares com essa criatura, entre as sebes que nos separam, numa noite de Verão. Logo eu que adoro gatos. Então pretos! Então de noite! Já nem me preocupa nada se os chineses do andar de baixo são ou não mafiosos (eu acho que sim, as correntes de ouro não enganam) vivo com o pânico de que o gato preto da vizinha se esgueire para a minha propriedade e, sorrateiro e lampeiro, entre pelo meu loft para me assustar.
Por enquanto acho que as plantas do Saharaa não o têm cativado a grandes excursões.
Eu sim estava cativada depois de montar uma estratégia para, sozinha, recolocar o colchão no alto do palanque de madeira. Foi duro mas fiquei tão confiante nas minhas capacidades autónomas que até comprei uma cadeira do IKEA. Foi-se logo a confiança só no tentar abrir a caixa para tirar as peças. Além disso, falta-me uma ferramenta de que desconheço o nome (serve para apertar parafusos). Agora que penso nisso, acho que a única ferramenta que sei designar é o martelo. Também já ouvi falar na chave de fendas mas não a reconheceria se a visse. Pois é, não vai ser nada fácil. Sobretudo se considerarmos a minha reduzida taxa de sucesso na montagem de brindes do kinder surpresa.
Bem, primeiro os pratos e as fronhas. E então sim, os parafusos e os buracos na parede.

E um dia terei uma casa digna desse nome.

Comentários

RUITIO disse…
chave de fendas :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Yellow-flathead-screwdriver.jpg

Nem todos os parafusos são iguais:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Screw_drive_types2.svg

atenção ao tamanho :quanto mais comprida menos força fazes, mas tem que ficar justa ao parafuso.

bjs e boa sorte
Untitled disse…
passei para te deixar um beijinho.

e assim trocamos blogomanias

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