Vou viver numa caixinha de bombons

Depois de lavatórios da casa de banho no meio da sala. Depois de varandas em ruínas e escadas sem luz. Depois de bairros e prédios tão suspeitosos que temi a perda de um rim, ou outro órgão popular no mercado negro. Depois de duas semanas exaustivas a procurar e a ver casas que simplesmente não serviam, rendi-me a um “sub-ático” ao lado da Sagrada Família. O orçamento limitado encaixa, o bairro não tem prostitutas, nem imigrantes/actividades ilegais, pelo menos à vista. Não pedem 8 meses de fiança nem comissões anuais alarves. O edifício está em óptimo estado de conservação. Há um elevador mas de qualquer modo as escadas têm luz. Há móveis, frigorífico, máquina de lavar a roupa, máquina de fazer tostas e micro-ondas. Tudo novo e bonito. Não há é cama, mas ninguém é perfeito não é?
E há uma linda varanda desde a qual os olhos desenham, refastelados, a sky line de Barcelona, da montanha até ao mar. Com a Sagrada Família tão perto que dá vontade de tocar.
Posto que na varanda cabe uma tenda (e das familiatres hã!), a cama não faz falta. A varanda é, aliás, a vida da casa e o vívido motivo que me fez optar por ela. Além dos benificios pessoais, os amigos vão adorar fazer barbecues ali. Não dá é para serem mais de 5 de cada vez, devido a limitações espaciais. Mas a varanda é grande! Grande com duplo sentido. Já me imagino a bronzear-me antes de temporada, a tomar o pequeno almoço enquanto vejo o mar, a escrever bestsellers inspirados em Gaudí e na Torre de Agbar. A dormir ao relento nas noites mais quentes. Não é que lá dentro não haja lugar para dormir. Há um palanque de madeira estendido no ar a altura e meia do chão. Em cima do palanque há um colchão. Estando deitada no colchão de barriga para cima, até sobra espaço para respirar antes do nariz tocar no tecto. O problema é quem tem mais de 1.74 não consegue passar por baixo do dito palanque. Que está mesmo no meio dos 30m2 do meu estúdio loft. Ah. As escadas móveis para aceder ao colchão também são um problema. Mas tudo somado, é melhor não ter cama que não ter onde dormir.
Portanto segunda-feira lá vou eu. A ver se acabo rápido esta mudança. Coisa maçadora, esgotante e interminavelmente duradoura.
E vejamos as coisas pelo lado positivo, quando eu cair das escadas móveis, ou mandar uma cabeçada no palanque, passeando pela casa, ou no tecto, ao acordar, vai dar um post divertidíssimo!

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