O meu primeiro casamento

Estava entusiasmada com o meu primeiro casamento. Não só por ser o primeiro mas por ser o do meu chefe com a Sam. Aaaah! Já estavam a pensar outra coisa não era?



Foi a Sam quem me contratou. Voltava para Inglaterra porque se tinha chateado com o namorado, que também era seu chefe, pelo que tinha de deixar o trabalho.
Mas um dia o meu chefe foi a Inglaterra e trouxe-a de volta. E há alguns meses sugeriu-lhe que se casassem. E quando digo sugeriu não é nenhuma figura de estilo, é verídico. Sem anel nem joelho no chão e, provavelmente, com uma cerveja na mão. Cada pessoa é romântica no seu estilo. E depois há aquelas que simplesmente não o são, de todo. O meu chefe é uma dessas. Por isso a noiva já nem sequer se chateou por ele ter perdido a aliança no mar, na mesma noite da festa de casamento.
Em sua defesa argumenta que por ter feito dieta (perdeu 15 kg para não subir pelo altar a rebolar) os dedos emagreceram e a aliança estava mais solta.
E o casamento foi todo assim, divertido e casual, como os noivos. Não houve igreja. A cerimónia oficial foi no Palácio do Ayuntamento de Barcelona. Um sítio maravilhoso para casar, mas não às três da tarde de um Sábado de Verão. Quando eu lhe disse que estava linda, a noiva respondeu-me “Obrigado. Sinto o suor a escorrer-me pela barriga por debaixo do vestido”. E aqui, confesso, se me quebrou essa magia mítica que envolve as noivas e os seus vestidos brancos. O encantamento quebrado foi útil para amenizar os danos do momento em que serviram tiramisú, aos bocadinhos, e me apercebi que não ia haver um bolo de 3 andares e cobertura de açúcar.
A comida foi toda ela uma frustração generalizada, por ser pouca e de menor substancia. A quem não almoçou não lhe podem servir saladas e tostas com queijo! Cada vez que saía alguma coisa cá para fora os convidados engalfinhavam-se como as senhoras nos saldos da Zara. No brunch do dia seguinte então, quando todos acordaram esfomeados e o pequeno almoço inglês chegou duas horas atrasado, foi uma selvajaria.
Mas estávamos numa das praias mais bonitas da Catalunha, quase em cima do mar (o mesmo que engoliu a aliança do meu chefe) e havia rumba catalana e bar aberto.


A rumba da boda!



E o meu vestido triunfou. Era o mesmo do baile de finalistas do liceu, mas isso ninguém tinha de saber. E, sejamos justos, saíram uns pires com mini nacos de carne tremendamente bons! É verdade, também houve umas bolinhas de nome técnico foi gras de fígado, que pareciam trufas de chocolate e as pessoas pagavam para não ter de as comer. Eu vi o meu chefe a cuspir uma dessas para um guardanapo.
Mas até podiam ter encomendado o catering ao McDonalds, que todos teríamos adorado na mesma, porque não há nada mais delicioso que a felicidade dos noivos. (Isso e o manager irlandês, sempre tão composto, a dançar coreografias das spice girls e a fazer striptease).
Oxalá se casassem outra vez este fim-de-semana! E convidassem o nosso manager, claro.

Comentários

Camila Ciberi disse…
Não acredito que tenha sido seu primeiro casamento! E por mais que tenha sido casual, a magia estava lá, pode ter certeza! Ou vai me dizer que não derrubou uma lágrima por eles?

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens