"Roubos" vários

Qual não foi o meu espanto quando numa bela manhã, ao conferir os meus movimentos de conta, encontrei uma saída de mais de 80€ intitulada Rbs.vários. Perguntei ao senhor do banco quem eram os Rbo.vários. Esses ladrões! “É a sigla para recibos e estes foram facturados por, espere aí que vemos já, Jazztel.” A mesma companhia com quem eu tenho um contrato de internet por 19€ mensuais. Matemática não é o meu forte mas creio que há uma diferença considerável entre 19€ e 80€. A ligação para reclamar começou mal, em jeito de prenuncio. Por muitas vezes que eu marcasse o número da minha linha de cliente o mesmo não era identificado. Então fui dirigida o atendimento aos não clientes.
Atendedor número 1
Explicar a situação, dar os números de identificação, esperar. “Ah realmente vejo que há um erro na sua factura” “Pois isso eu já tinha reparado” “Mas quer dar de baixa ou quer reaver o dinheiro” (a sério que me está a perguntar isto?) “Eu quero que me devolvam o dinheiro”. “Então vou-lhe passar ao departamento de facturas porque nós aqui não podemos fazer nada”. E vai de passar o imbróglio à extensão seguinte.
Atendedor número 2
Explicar a situação, dar os números de identificação, esperar. “De facto, a sua factura não corresponde ao serviço que tem contratado” (Ai sim? Não me diga!) “O técnico que me estão a cobrar era grátis, eu não vou pagar 50€ porque me terem instalado a internet mal da primeira vez” “Então vou-lhe passar ao departamento de cobros vai ter de falar com eles” “Não vai não. Já é a segunda pessoa com quem eu estou a falar, estamos nisto há mais de 15 minutos e agora vou ter de explicar tudo outra vez?” “Não, não, não vai nada. Aqui termino o meus serviço, agradeço o seu contacto, estamos sempre disponíveis, tenha uma boa tarde.” (A Jazztel faz guiões para os funcionários da atenção ao cliente).
Atendedor número 3
Explicar a situação OUTRA VEZ, insultar mentalmente o mentiroso do atendedor anterior, e pedir para ela me passar já o departamento seguinte se também não puder fazer nada. Assim poupamos tempo uma a outra. Mas não, quer averiguar, parece que pode resolver. Voltamos ao mesmo corridinho: dar os números de identificação e esperar. Esperar mais um pouco. Esperar só um pouco mais. “Obrigado por aguardar, confirmo que lhe foi cobrado um serviço que não é o que tem contratado. O serviço do técnico era grátis. Vou passar-lhe ao departamento de finanças para lhe devolveram o dinheiro. “ (Exactamente quantos departamentos caberão num serviço de atenção ao cliente?).
Já se sabe como começou a conversa. A conclusão também foi a mesma. E eis se não quando, após meia hora ao telefone, esgotaram-se-lhes os departamentos e anuíram em devolver-me o dinheiro.
Conclusão: ter razão é um processo moroso, estafante e custoso se não se tiver tarifa plana para chamadas.

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