A ilha



Se eu tivesse ido a Ibiza com as minhas amigas de certeza que a história deste post seria diferente. Mas, como nenhuma delas estava disponível, fui com dois amigos catalães. Razão pela qual as memórias ibizencas se resumem numa rotina compulsiva de festa - praia/piscina do hotel com paragem pela casa partida para dormir até às duas tarde. Eu ainda tentei que me levassem ao castelo mas eles tinham os seus planos anti-culturais demasiado bem definidos. E, mais que isso, tinham as chaves do carro, a carta de condução e, efectivamente, a capacidade de conduzir. Coisa que eu já perdi há algum tempo. Então, como highlights de Ibiza tudo o que tenho para contar foi quando fomos a uma “cala” comer sardinhas, ou quando caí de rabo no meio do passeio do porto, perante o olhar de escárnio de várias pessoas. Quando fomos comer sardinhas, na orla do mar, num pedaço de areia perdido detrás de uma montanha ao abrigo das estrelas, assim tal e qual de edílico como soa, eu só comi pão com salada. Porque eu não gosto de sardinhas. Quando caí de rabo no meio da rua, patinei a dois pés durante alguns milésimos de segundo até já não conseguir reter o trambolhão. Atenção, não é toda a gente que cai de rabo no solo da ilha mais famosa do mundo! Bom, quem sabe a mais famosa do mundo não, porque há as Seicheles e as Fiji e, como não, os Açores! Mas é seguramente a mais famosa de Espanha ( e mais famosa que os Açores ). A Paris Hilton esteve lá este Verao e o Gerard Piquè e a Shakira também. Pois agora no fim de temporada já não estava lá ninguém. Éramos nós, o flaó (sobremesa típica com menta e queijo fresco, estranhamente agradável ao paladar) e o duplo do Robert de Niro. Sim. Há um duplo do Robert de Niro em Ibiza. O senhor vai pela vida convencido de que é o próprio do Robert, acenando a toda a gente e franzindo a cara para acentuar as parecenças. A multidão pára para fazer fotos com ele, alheios ao engano e à falta de seguranças a rodeá-lo. Um mix de caricato com surreal. E sobretudo é curioso como em vez de o tratarem como um demente, tratam-no com reverencia e dão-lhe privilégios de entrada na Pacha, essa catedral do ócio nocturno. Ócio nocturno é a marca de Ibiza por excelência. Porém, as expectativas do meu imaginário ficaram por cumprir. Talvez porque já não era Verão, talvez pela escassa partilha de interesses com os meus companheiros de viagem, cujo interesse primordial se centrava em loiras, morenas e ervas ibizencas! A bebida típica de ibiza, cuja embalagem se pode assemelhar a um produto de limpeza de vidros, foi o elemento mais cultural da nossa visita à ilha.

Comentários

Lolly disse…
lol oh pobre Le... :P por acaso n provei as hierbas quando aí estive: que tal??

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