Patinagem no gelo

Eu disse-lhe “vamos fazer alguma coisa interessante” e ela respondeu “que tal patinagem no gelo?”. É o que sucede, quando uma trava amizade com norueguesas. Se eu tivesse arranjado uma amiga brasileira, teria passado a tarde de Domigo num pagode à beira mar. Em vez disso, arranquei as luvas negras da gaveta e juntei-as às meias com dedinhos e à blusa de manga comprida. À hora do jogo de futebol, estávamos no pavilhão de gelo ao lado do estádio.
É uma carga de trabalhos para calçar os patins e uma vez postos não há nada mais frustrante que ouvir: “tens os patins mal apertados, saltaste um buraco, assim vais cair”. Vexame. Dez minutos de luta atirados para o ar. Se a senhora não me tivesse dado um patim com cordões desfiados eu tinha conseguido enfiá-los no buraco que faltava. Vai de trocar de patins, enquanto ela já se avançava em explicações para principiantes. Como estava ocupada a apertar os patins não prestei atenção e tive de pedir à minha amiga que me recapitulasse. “Para avançar tens de os pôr assim para o lado e para girar é assim” (para girar? Ah ah ah ah) “E para travar?” “Ah isso ela não disse”. E ninguém perguntou??? Eu, pessoalmente, não estou a pensar girar mas dava-me imenso jeito saber travar… enfim, lá fomos subindo as escadas que conduziam até ao ringue tal qual elefantes deselegantes. Claro que havia imensas crianças e todas elas patinavam melhor que eu. Desconfio que as pequenas criaturas patinavam melhor do que o que sabiam falar. Eu, patinar patinar, não patinava. Arrastava-me ao redor do ringue, agarrada ao corrimão com a minha vida. A minha amiga norueguesa, que disse que também não sabia patinar, estava a dar voltas no meio da pista e a patinar de costas, tal sereia do gelo. Eu estava mais para lontra.
A muito custo, lá me convenceu a despegar-me do corrimão para dar-lhe a mão. Foi o melhor que fiz, porque só ai patinei. Rápido, para trás, para a frente, cruzando a pista pelo meio e dando voltas. Está claro que eu não fiz nada disto, eu só agarrei as mãos dela, dobrei os joelhos e deixei-me levar. O problema é que nos divertimos tanto que agora se avista a possibilidade de voltar. Esta foi a segunda vez na minha vida que eu patinei no gelo e, heroicamente, não caí. Faltou pouco. Mas se chega a existir uma terceira vez, tenho cá para mim que a lei das probabilidades não me perdoará…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens