Give me 5!!!



Se um dia tiver filhos vou-lhes contar. E se um dia os filhos que eu tiver tiverem netos, também lhes vou contar. Vou contar-lhes como era viver na cidade do melhor clube do mundo. Vou contar-lhes da noite em que o melhor clube do mundo, com o melhor treinador do mundo e os melhores jogadores do mundo, destroçou o seu rival. Porque hoje ficou claro quem são os melhores do mundo.
Vou contar-lhes como as pessoas se vestiram de blau grana, como os bares se encheram e as cervejas se acabaram, como o campo explodiu de emoção com o primeiro golo, e com o segundo, e com o terceiro, e com o quarto e com o quinto!!! E como se levantaram as mãos numa onda interminável de 5 dedos e se gastaram as gargantas.
Vou contar-lhes de quando o nosso menino bonito se portou mal e, impotente, empurrou o treinador adversário, e bateu e insultou todos os jogadores ao seu redor. Menos o Piqué, porque esse já é da mesma altura que ele.
Vou contar-lhes como foi a maior derrota do homem mais famoso de Portugal.
Vou contar-lhes como o capitão da selecção campeã do mundo, levou chapéu, levou cueca e levou amarelo. E levou as mãos à cabeça, desesperado.
E se a memória me falhar, há esta coisa de que sempre me vou lembrar. Esta coisa impalpável, indescritível inimaginável. Esta coisa que está agora no milhar de pessoas que festejam na rambla, nas buzinas que ecoam pela noite, nos foguetes que não deixam as estrelas dormir, nas bandeiras que ondeiam ao vento. Esta coisa que está nos sorrisos de todos os meus amigos catalães, e dos seus pais e das suas mães. Esta coisa que está no coração de quem nasceu aqui e nos olhos de quem está de passagem. Esta coisa que a chuva não molha e um mau resultado não apaga. Esta coisa de que eu já tinha saudades desde a época passada e que nunca vi em nenhum outro lado com nenhuma outra equipe. Esta coisa que nos contagia involuntariamente e nos faz saltar e gritar impropérios e cantar que se queima Madrid.
“Quien se quema? Madrid! Quien se quema? Madrid! Madrid se queeeema, se queeeema Madrid! Oeoeoeoeoeee”. Esta coisa que é êxtase e é apoteose e quase não cabes nos adeptos e os adeptos não cabem em si. Esta coisa a que eles chamam “mais que um clube”.
Sim, um dia vou-lhes contar.
Hoje por hoje, conto-vos a vocês.

Comentários

Rui Coelho disse…
foi maravilhoso. ver jogar o barça é uma experiência avassaladora, ultrapassa o desporto. gosto muito de futebol e nunca vi nada tão belo. este jogo foi a síntese disso tudo.
Gustavo Jaime disse…
Boa! Bom texto! O tapa foi histórico...

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