Só hoje

Hoje, nas minhas duas horas de catalão matinais, aprendi a pôr mesa e a nomear todos os complementos que uma cozinha que se preze pode desejar. Em português, desconheço qualquer subtipo de panelas ou frigideiras. Agora, em catalão, sei mais nomes de utensílios culinários do que de pratos que sei confeccionar.
Hoje, no meio dos emails de trabalho, aprendi uma palavra nova: serigrafia. Refere-se a uma técnica de estampagem de camisetas, neste caso, com logos de cerveja.
Hoje, lendo um livro para crianças, aprendi que em Francês Jack o Estripador se diz Jack L’eventreur. Não deixa de ser mais romântico.
Hoje, num momento de tédio e sonho com o desbravamento de novos mundos, aprendi que nesta época do ano em Marrakech as temperaturas rondam os 20 e os 25 graus durante o dia, estando abaixo dos 10 durante a noite.
Hoje, no final da minha jornada laboral, aprendi conceitos básicos de Photoshop para aplicação ao design comercial. Uma mistura de Paint, com Power point, com Word, num nível de elaboração ligeiramente mais complicado e com mais camadas.
Hoje, no aquecimento da aula de dança, a professora contou que as alunas do seu workshop na Irlanda tinham bigode. Farfalhudo, imponente e másculo. Então aprendi que em espanhol o equivalente a Maria rapaz é “Mari Macho”.
Na continuação da aula de dança, aprendi a caminhar e deslocar a anca para cima e para baixo simultaneamente, a um ritmo diferente dos passos. A sinestesia poética deste texto entrepõe-se à percepção da real dificuldade que é mexer a anca para cima e para baixo, em andamento, e num tempo distinto da passada. Queira o simpático leitor tentar o exercício em frente a um espelho: dobre os joelhos ligeiramente, coloque as mãos rentes às ancas e desloque-as para cima e para baixo. Se tocar com as ancas nas mãos é porque está a move-las para os lados em vez de para cima e para baixo. Quando tiver certeza que as suas ancas estão up and down non stop, comece a andar para a frente. A cada passo e meio a anca deve subir, descer e voltar a subir do outro lado. Se tiver completado este exercício com sucesso, deixe tudo aquilo que estiver a fazer e dedique-se à dança do ventre porque é você um talento inato e sobredotado.

Hoje, o meu nível de actividade cognitiva compensou todos esses fins de semana de espasmos de morosidade, comida pouco saudável, inestimável apego à funda nórdica e preocupante dependência de séries americanas.
A grande questão que se coloca agora é: de tudo o que eu aprendi hoje, o que é que ainda me vou lembrar amanhã?

Comentários

M Make-up disse…
Adoro seus textos...tbm faço dança do ventre
Gustavo Jaime disse…
Essa das ancas é interessante... hehehe.

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