A Senhora Barbie

Foi um choque. Não estava preparada. Já me tinham contado coisas parecidas. Mas no caso que me contaram tratava-se de uma criança de 4 anos e então eu ri-me. Não imaginava o que as estrelinhas tinham reservado para quando chegasse a minha vez. Foi numa tarde de grande reboliço no Chiado, em pré- véspera- de- Natal, com o estado do tempo hesitante, entre chuvas torrenciais e sol de inverno. Isso sim, sem direito arco-íris porque os céus este ano também estão em contenção.
Entrei nos provadores da H&M. Um grupo de adolescentes estava a fazer uma prova conjunta de vestidos para a passagem de ano. Não indiferentes à minha chegada, uma das jovens diz “Oh, então, deixa a senhora passar.” Observei o meu reflexo no espelho, não havia ninguém atrás de mim. A senhora era eu. Efectivamente. PIM!PAM!PUM! A minha alma estilhaçou-se em pedacinhos de indignação. Mas em vez de apontar-lhe o despautério, a barbaridade que acabava de pronunciar, disse-lhe “obrigado” com um sorriso amarelo torrado. E é que não era uma criança de 4 anos que me estava a chamar de senhora. Era uma miúda que já passa a passagem de ano com os amigos! Pffff… Aposto que nem sequer há uma década entre as nossas datas de nascimento!
A ocorrência não só foi impossível de esquecer como se voltou a repetir em Belém “Cuidado, olha a senhora!” disse um pai zeloso pelo seu bebé, que andava a ver se via o Tejo mais de perto, desde dentro provavelmente.
Duas vezes em cinco dias é dose. E outras duas vezes disseram-me “parece uma Barbie”.
Eu, sempre a mais nova de todos os meus empregos, a mais nova das minhas amigas de Barcelona, de Itália, do Brasil e de Faro, eu, morena natural e preta no Verão, sou afinal uma “Senhora Barbie”.

Muito prazer.

Comentários

i disse…
tá a pesar a idade, sim... aposto q tens rugas :P

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