Uma semana no meu país



Cheguei a Lisboa num dia em que chovia e faltava açúcar nos supermercados.
Também havia trânsito na segunda circular, mas isso é tão característico e permanente como as pedras da calçada portuguesa.



Portanto não me surpreendeu. Para dizer a verdade não foi uma semana de surpresas.
Podia fazer-me de vítima e dizer que a balança me pregou uma grande surpresa, todo 1 kg de surpresa! Ai Meu Deus que eu não estava nada à espera! Mentira. Com a quantidade enfardada de bolos, chocolates e comida da mamã, mais magra é que eu não podia ficar…



De resto, a torre de Belém ainda não foi demolida em prol da construção privada, as iluminações de Natal da baixa são as mesmas do ano passado, continua a haver bacalhau e bolo rei na noite da consoada e a classe média está lixada.
Enfim, está tudo mais ou menos no mesmo sítio, com menos dinheiro e a gasolina mais cara.
Há um restaurante novo (pelo menos para mim) ao pé do Marquês, que recria um american dinner, apesar de servir bifinhos de peru com natas. Está muito, muito aprovado!
Obriguei a malta dita familiar a ir passear a Belém e, pior, a tirar fotografias. Agora sim, sou uma emigrante autêntica.


Foi um passeio proveitoso, pois o senhor arrumador de carros explicou-nos que há de se andar sempre com biqueira de aço, porque no outro dia um carro passou-lhe por cima do pé e olha… se não fosse a biqueira de aço!
A sequência de descobertas continuou, já em casa, quando me mostraram as fotos das férias nos Açores. O meu professor de semiótica dizia sempre que nos Açores só há erva e vacas. Estava enganado. Também há muitas lagoas e muitas piscinas naturais. E, tchan tchan tchan tchaaaaaaan, nos Açores há uma profissão inédita: inseminador de vacas. Tivesse sabido eu atempadamente e já não me apanhavam em Ciências da Comunicação!
Na televisão, além da inutilidade de todos os programas, só uma coisa me chamou a atenção. Uma reportagem sobre animais de estimação caricatos, de entre os quais se destacava um corvo falante. Foram minutos preciosos de reportagem, com o corvo sempre a dizer “Oh cão! Oh cão! Oh cão!”. E de vez em quando também ladrava. Eh pá, achei fascinante. Bem melhor que as telenovelas ou a quinquagésima e centésima edições, respectivamente, dos Ídolos e do Big Brother. Já sei que agora não se chama Big Brother. Agora é a Casa dos Segredos. Uuuuuh! Faz-me lembrar uma festa que há em Barcelona chamada “Same shit different name”.
As prendas de natal também não foram surpresa, posto que foram à la carte, tirando a moldura electrónica, prenda da mana. O presente ideal para apurar o meu egocentrismo, com um slideshow constante de fotografias onde saio bem. Amei!
Entretanto acabou-se o Natal e hoje vou-me embora de Lisboa. Continua a chover mas a situação do açúcar já foi regularizada.

Então adeusinho ó pátria amada.

Comentários

i disse…
foi uma estadia MESMO curta! BAH!

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!