Amor é papel, encadernado e editado, e se arder vê-se.



Eu olhei para ele e ele olhou para mim. Assim ficámos por alguns instantes, parados e calados, trocando olhares embevecidos.

Tentei decifrar o que sentia. Era um sonho, sim, mas nao era só meu. Era um sonho dividido com outros 57 sonhadores, como eu.

Ele era um só.
Um só para tantas ponderaçoes do coraçao impressas em ideias bem pontuadas.
E ele estava ali, tal qual metro das 6 da tarde, só e lotado ao mesmo tempo.
Estava ali, acolá, além e ali outra vez. Tinha uma vitrine vip exclusiva com tapete vermelho. E fotografias nos posters da porta de entrada.



Eu continuava sem saber bem o que sentir. Suponho que o pontapé de saída do jogo que desejávamos exasperadamente ganhar é sempre difícil de interpretar.

Ele nao tinha dúvidas. Exibia-se orgulhoso e seguro, com o seu título calculadamente emotivo “Textos de Amor”, o seu tamanho saboroso para levar nos transportes e a sua capa fugida ao cliché dos coraçoes vermelhos em fundo rosa fluorescente (ou vice-versa). Que é o que se espera de um livro de textos de amor lançado em vésperas do dia dos namorados, por ditâmes do marketing.

A cerimónia de lançamento foi simples e familiar. Com miniaturas de pastéis de nata e vinho do Porto. No dia seguinte, o Marcelo incluiu-o em directo nas suas recomendaçoes literárias para essa estimativa optimista de meio milhao de leitores que Portugal deve ter. Dois dias depois já se tinha expandido do nr 2 da Rua de Santa Catarina em plena Invicta até ao Forum de Faro.

Disse-nos o Director do Museu Nacional da Imprensa que agora já nao somos pessoas que escrevem bem. Agora somos autores.

E agora, pensando em tudo isto, posso finalmente dizer como é que me sinto. Chega a ser rídiculo de tao fácil que era.
Porque agora, faço parte de um livro publicado.
Eu, que aos 7 anos decidi que era isto que gostava de fazer, enquanto escrevia poesia em linhas de prosa. Hoje, sinto-me feliz.
Nem mais, nem menos.Ou um bocadinho mais se o quiserem comprar. Está à venda em todo o país! :)




Ediçao conjunta do Museu Nacional da Imprensa com a editora QuidNOvi

Comentários

i disse…
Parabéns babe! e como assim o Marcelo recomendou! isso é brutal!!
Camila Ciberi disse…
Mentira!! Parabéns! Que orgulho da minha poetuguesa!! Agora tem um problema.... Quero ler! Cadê as cópias que vêm para o Brasil?? Saudades!

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