O picnic perfeito

E chegado o dia ele pergunta “O que é que se leva para um picnic?”. Eu parei, girei a cara na sua direcção e, fitando o seu olhar preocupado, perguntei-lhe com perplexidade: “Tu nunca foste a um picnic???”. Há 3 semanas que eu andava a dizer que temos de fazer um picnic, que é tao giro fazer um picnic. E ele anuía que sim, que claro, que vamos. E afinal todo este tempo bem lhe podia ter estado a dizer que tínhamos de ir comer tremoços a S. Brás de Alportel que ele teria mostrado o mesmíssimo entusiasmo com a mesmíssima ausência de conhecimento de causa. Porque não há a mínima possibilidade de que um catalão saiba da existência de S. Brás de Alportel nem de que consiga atribuir significado à palavra tremoços.

Assim sendo, encarreguei-me eu de elaborar a cesta do picnic. E lá fomos, prontos para uma tarde de tranquilidade e relax. Que duraram exactamente o tempo que levámos a estender a toalha “Não deixes a mala aí, deixa-a aqui” “Porquê?” “Porque pode passar algum corredor…”. Oh que exagero, parece a minha mãe, vai lá agora passar um ladrão a correr por trás de mim, onde até há um arbusto, e roubar a minha mala de dentro da cesta do picnic. Olhei à volta: casais, grupos de amigos, famílias, ninguém suspeito. Claro que não. Sentei-me com desprezo como quem diz “tu não percebes nada disto, nos picnics não há ladrões”. E nisto saltaram duas almas engalfinhadas num combate à nossa frente. “O que é que eles estão a fazer?”. Perguntei, esperando que a resposta fosse algum jogo tradicional catalão. “Ele estava a roubá-los. Estava a roubar-vos?” – pergunta ele, estirado na toalha com a maior calma do mundo. “Sim” responde a namorada de uma das almas engalfinhadas. Mas mais detalhes não pôde dar porque tinha de chamar a polícia. A polícia demorou uns bons 20 minutos, durante os quais apreciámos, a meio metro de distancia, o assaltado a imobilizar o assaltante com o braço ao redor do seu pescoço. Quando a polícia chegou veio a cena das algemas, mesmo ao lado do meu arbusto. Depois da captura do ladrão corredor, aproximaram-se, muito lentamente, um rapaz e uma rapariga. Pensámos que iam tentar roubar-nos. Afinal só nos queriam vender trufas artesanais. Minutos mais tarde aproximaram-se outros 2 espectros, mais uma vez olhámos para todos os lados, buscando um “ladrão corredor”. Nada. Estas só queriam tirar-nos una foto para uma revista de psicologia e fazer-nos perguntas sobre o balanço do casal. Tiveram tanta sorte como os das trufas, isto é, nenhuma. Mas a quem é se lhe ocorre vender trufas artesanais com 30 graus ao sol? Enfim, quando achámos que já tínhamos relaxado o suficiente fomos passear de barca. No meio do lago, cheio de patos, sandes e pacotes de batatas fritas flutuantes, era seguro dizer que não havia ladrões. O que eu não sabia é que havia tartarugas… é altamente provável que lhes tenha pregado um susto com os remos. Ou dois…

O importante é que não matei nenhuma, não fomos assaltados e nas fotografias nem se vê que a água do lago está suja.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O síndrome de Bridget Jones

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens