Bye Bye Bin

O mundo gira de contente com a morte de Bin Laden.
Em Barcelona, a alegria depois da derradeira derrota contra o Real e a bota na final da Champions atravessa a chuva, cintila mais que os relâmpagos e cala os trovões. Que se tornam difíceis de diferenciar dos foguetes. E pensar que hoje de manhã pus as rosas vermelhas na varanda porque estava um lindo dia de sol. Agora estão ali à beira do lavatório com as pétalas a pingar.
Eu estou particularmente feliz porque a Orxateria da esquina reabriu. Uma Orxateria tem tudo o que tem uma geladaria, mais orxatas, que são a bebida tradicional do Verão catalão. Eu gosto de Orxatas.
Também gosto que o Barça esteja na final, são vários benefícios adjacentes: mais um jogo com os bares lotados e, queira o Senhor, esvaziamento de todas as caixas de cerveja, e extremo bom humor do meu chefe. Ainda que aquele golo anulado ao Madrid, porque sim, não me tenha parecido nada justo. Mas isso fica cá entre eu e vocês porque para os “culets” como o meu chefe o Barça nunca faz faltas, nunca finge faltas, nunca provoca o adversário e é sempre prejudicado pelos árbitros. Ah, e tudo o oposto se aplica ao Real Madrid. É assim o amor. Cego.
O amor e, pelo visto não visto, a morte do terrorista mais procurado pelo FBI também.
Ontem não tive muito tempo para bisbilhotar as notícias. Foi o meu primeiro dia depois de férias e aguardavam-me, impacientes, 101 emails. Mas sim, dei-me conta de que mataram o Bin Laden. E deitaram o corpo ao mar… Para não desrespeitar a religião da vítima. Porque matá-lo a sangre frio não ofende nenhum tipo de religião. Capturá-lo e julgá-lo democraticamente, isso sim, teria sido uma blasfémia.
Não me interpretem mal, não tenho a menor vontade de ver fotos do cadáver mas convenhamos, eles têm todos barba, levam todos turbante e são todos morenos. Passaram 10 anos desde a última vez que o viram. Quem é que garante que não se enganaram de terrorista?
Eu só acredito vendo. O resultado dos exames de ADN, entenda-se.
E mesmo que confirmem que era ele, não deixa de me parecer um golpe de campanha política mais bem simbólico que significante. A não ser se contarmos que para matar um morreram 919.967 e se gastaram uns bons 1.188.263.000.000 de dólares. Número que, confesso, não saberia escrever por extenso. È bom que não se tenham enganado… Mas daí a celebrar loucamente como os adeptos do Barça estão a fazer esta noite na fonte de Canaletas, já é algo que transcende o meu entendimento.
O Bin Laden morreu e a crise mundial?
O Bin Laden morreu e a guerra no Médio oriente?
O Bin Laden morreu e o atentado em Marraquexe?
O Bin Laden morreu e agora, o que é que mudou?
A Orxateria. A Orxateria voltou a abrir e já tenho onde comprar gelados a meio da tarde.

Comentários

Rui Coelho disse…
Também não saberia escrever essa boa quantia por extenso, e muito menos percebo a loucura em redor da morte do homem, dez anos depois - quer dizer, nos states é compreensível. A ser verdade que foi o barbudo certo a cair ao mar e não o pastor de cabras lá da zona, tadinho. Lembrei-me é que haverá mais gente como tu a gostar dessa bebida. Será isso que se canta aqui em baixo?

http://www.youtube.com/watch?v=bkUQ-OBazbc

Tchim tchim.
Ale disse…
Do Bin laden n sei m gosto mt dessa cançao e acho mesmo que estao a falar da orxata!

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