Que visão...

Foi por acaso. Estava a fazer zapping e de repente vi a Hungria a cantar. Olha é o Festival da Eurovisão, vamos lá ver se Portugal perde outra vez. Se bem que este ano, com o mauzão do FMI e a amaldiçoada crise talvez o júri se comova e incentive a quebrar a consecutiva história de participações não premiadas dos nossos cantores nacionais. Que podem não ser os melhores, mas oh por favor, a Finlândia na final com aquele senhor que parecia um teletubie com uma guitarra? E o Azerbaijão que eu, ignorante crassa, jurava a pé juntos que estava mais na Ásia que na Europa?
Buuuuh! Fooora! Fooora! Fooora!
Citando um português famoso e mal quisto aqui em Barcelona
“Porquê? Porquê? Porquê? Porquê?”...
É certo que quem vê assim de repente aquela pandilha de caricaturas nacionais a cantar na bonita língua de Camões, com os rrrsssshrrrrshhhh em todo o seu esplendor, pode ficar assustado. O nome Falâncio e os cartazes multi-idiomas a dizer “a luta é alegria” não ajudam. Digamos que a cena das guerras é um tema um tanto ou quanto tenso e delicado, principalmente com os libaneses a serem exterminados e os terroristas a prometerem a Alá aniquilar os Estados Unidos.
Nós sabemos que a luta dos nossos homens é uma luta social e alegre no sentido pacífico e no sentido do ridículo em que caem os nossos políticos (Sim! Não votem Sócrates!). Mas não se pode exactamente esperar que alguém da Islândia entenda o refrão da canção. Eu própria tive dificuldade em separar o velho do novo do menino e não tinha certeza se traziam pão peixe e vinho ou pão queijo e vinho, PÁ! Decididamente trazem o queijo que é mais barato.
Mas orgulho-me de termos cantado em português e de termos apresentado uma música de intervenção. A Espanha veio com uma pimbalhoca de vestido rosa choque e uma música com um erro antes mesmo de começar. “Que me quiten lo bailao” em vez do “bailado”, em alusão à característica mas incorrecta e saloia pronúncia do sul.
Também cantou na língua materna mas isso não foi por opção. Foi precisamente por falta de opções, que se um espanhol se apresentar a cantar em inglês o público vai pensar que se trata da actuação da Rússia. Punhaladas satíricas a nuestros hermanos à parte, Portugal não se classificou para a final da Eurovisão. Como sempre. Portugal não vai realmente actuar à Eurovisão, vai fazer de figurante. Vai fazer número! Eles precisam de ter muitos países, a prova está em que até San Marino vem cantar, e nós, bem ou mal, somos um.
E é claro que não passámos ( e San Marino também não para que conste), como poderíamos passar?
Se em Portugal já somos menos que as mães e estando as coisas como estão, quem é que tem crédito no telemóvel para andar aí a enviar sms internacionais?
Só mesmo no Azerbaijão.
Enfim, achei o sistema de voto elitista e pouco democrático, privilegiando claramente a supremacia dos países mais populosos e com mais recursos económicos.
“Porquê? Porquê? Porquê? Porquê?”...

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