"Sale el sol" (onde???)

Eu gosto da Shakira desde que ela saiu do mar com o cabelo seco para rebolar na lama enquanto cantava “Whenever, wherever we’r meant to be together I’ll be there and you’ll be near and that’s the deal my dear”. Nao era a coisa mais bonita do mundo mas eu gostava, nao havia nada a fazer. E ao longo dos anos continuei a gostar. Cada vez mais. Adoro os ritmos, amo as danças. Boa ou má é música alto astral e o corpo nao fica indiferente. Por tudo isto, quando mon petit-amie me ofereceu duas entradas para a sua tournée “Sale el sol” no Estádio Olimpico de Barcelona eu fui ao rubro. Shakira ao vivo deveria ser o culminar da animaçao, o cantar até romper o último fio de voz, o dançar até ter que pedir ao namorado que nos leve ao colo. Deveria ser mas nao foi. Esperava ter abandonado o recinto suada, afónica, histérica e com calores. Como depois de um concerto de Ivete Sangalo.
Em vez disso, saí de casaco, desiludida e com fome.
O concerto começou da pior forma possível: com uma hora e quarto de atraso e sem um único pedido de desculpas. Nem a Amy Winehouse, bebaça, se atrasou tanto no Rock in Rio. Caiu de rabo no meio do palco, é verdade, mas pelo menos pediu muitos sorrys pelo delay e foi só meia hora.
Percebo perfeitamente que a plebe furiosa a gritar “fuera fuera fuera!” e a atirar garrafas de plástico para o palco nao lhe desse muita vontade de entrar em cena. Mas isto nao se faz. Principalmento num Domingo à noite, com centenas de pessoas de pé e crianças à espera. Nem mesmo se é a Shakira e se com ela vêm os jogadores do Barcelona. Que vieram, desastrosamente, mas vieram. Ela chamou Messi, chamou Valdés, chamou Abidal, chamou Dani Alves. Nenhum deles se apresentou. Subiram ao palco Piqué, Xavi, Bojan, Pedro, Busquets e Villa e fizeram uma figura daquelas, tentando mover las caderas. A plebe gostou. É sempre um regojizo ver alguém a cair no ridículo e se sao os campeoes de futebol da Europa tanto melhor.



Foi o “momento” da noite mas nao foi suficiente para colmatar a ausência de gente no cimento vazio ao redor do estádio, nem as consecutivas paragens de espectáculo que teimavam em intercalar as músicas, nem o palco negro e gigante, sem decoraçoes, sem efeitos especiais, sem bailarinos. Poucas músicas levantaram os braços do público e só a Loca, a Ciega-sordo-muda e a Waka waka, apesar dos nomes pouco sanos, nos fizeram levantar os pés do chao. Via-se um pontinho amarelo, sozinho e perdido, sem conseguir crear realmente empatia com um público cheio de expectativas rotas. Eu nao sou fan da Lady Gaga mas tenho de admitir que o concerto dela em Barcelona foi infinitamente melhor que este. A Shakira dança bem. E por aí se fica.
Que nao se enganem, eu diverti-me e nao deixei de gostar dela nem um bocadinho. Gosto de Shakira nas discotecas, na rádio, no youtube, nos clips da MTV e na lista do spotify.
Mas em concerto, o sol nao "sale"...

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