Votar

O exercicío desta liberdade basilar da democracia é, por norma, bem mais difícil que aquilo que o verbo em si deixa entrever. Vota aqui, vota ali , vota em mim. Vota, vota, vota. Eu vou votar. Tu em quem é que vais votar? Vamos todos votar. A beleza do direito ao voto em todo o seu esplendor.
Até o dia em que recebemos uma carta da Direcção Geral da Administração Interna: Exmo emigrante, dirija-se ao consulado português a partir de 6 de Junho. Lemos a carta outra vez, fazemos uma breve pesquisa no Google. Supomos que a carta da Administração Interna deve saber melhor que nós quando sao as eleiçoes em Portugal. Nao? Pois nao. E entao nao temos outro remédio se nao comprazernos pelo facto de que o nosso país está extremamente interessado em saber qual teria sido o nosso voto. Para a estatística suponho.
Persistente, fui investigar a informaçao no site do consulado. Voto antecipado 24 e 26 de Junho. Ora aqui está, ou quase: militares, médicos, enfermeiros, estudantes, diplomatas, missoes humanitárias, forças judiciais ou cônjugues de qualquer alinea anterior. Isto é, o reles emigrante trabalhador por conta de outrém nao pode votar antecipadamente. Estou no limbo das camadas socias da emigraçao. Devia ter ido para medicina, eu sei.
Ainda mais persistente, liguei para o consulado para perguntar quando é que o “limbo” podia votar. A senhora pediu-me que esperasse que estava muito ocupada e desligou-me o telefone na cara.
Com toda a persistencia do mundo, voltei a ligar. Desta feita a senhora contou-me que tenho de votar onde estou recenseada – Faro – e que para me recensear no consulado de Barcelona tem de ser 60 dias antes de eliçoes, lei da qual eu, como cidada maior de idade tenho obrigaçao de ser conhecedora. Assim de repente consigo pensar nuns 500 cidadaos mairoes de idade que desconehcem esta lei. Começando pelas pessoas que trablham na Direcção Geral da Administração Interna e enviam cartas 2 semanas antes das eleiçoes a dizer para nos irmos recensear um dia depois das urnas fecharem.

Comentários

i disse…
obg! aconteceu-me o mesmo qd fui para cardiff. fiquei escandalizada
Anónimo disse…
Leiam Bakunine - Eleições são armadilhas para tolos- Eu não voto, mas até sabia dessa treta dos 60 dias (é o tempo que eles precisam para actualizar os cadernos eleitorais- se agora votasses no Consulado depois podias votar outra vez em Faro).
Mas atenção não votar por escolha não é o mesmo que não poder votar.
bjs ruitio

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