1 de Junho



Mais ou menos a partir dos 15 anos começa a ser difícil ser criança. Primeiramente porque as crianças nao podem entrar nas discotecas e na maturidade dos 15 ninguém quer ficar de fora. Depois é a altura das escolhas das áreas de estudo, das Unviersidades, dos exames nacionais. E num piscar de olhos uma pessoa já tem de se preocupar com contratos, trabalhos, ou falta dos mesmos, impostos, contas, manutençao do espaço habitacional e recheio da dispensa. Uma cahtice perspegada.
As bonecas e os carrinhos dao lugar a secadores de cabelo, telemóveis touch screen e carros de verdade. Todos com as consequências adjacentes: seguro, avaria, acidente, mensalidades... (Porque depois dos 18 já nada vem sem consequências).
Sair pela rua a correr como se isso fosse a melhor coisa do mundo é pertinentemente substituído pela espera do autocarro e o trânsito às 9 da manha e às 6 da tarde.
As birras e choradeiras desenfreadas sao engolidas por um “cala e come” das estruturas laborais, estudantis e governamentais que espremem até ao tutano toda a criancice que ainda teimasse em sobreviver.
Os sonhos que nos protegiam dos bichos papoes sao esmagados pelo sistemas que nos regem e as crises que nos deprimem.
As bocas babadas em público de gelado de chocolate sao limpas pelas capas de revistas tao perfeitas quanto impossíveis.
A felicidade saltitante e as gargalhadas exuberantes por coisas tao simples como um balao ou um caramelo apagam-se da memória para sempre.
Os motivos para sorrir estao em extinçao e há que procurá-los com fervor.
E o melhor de tudo - essa despreocupaçao egocentrica com a camada de ozono, a pobreza, as eleiçoes, o peso ideal, a dívida externa, os atentados e os vulcoes - torna-se absolutamente irrecuperável.
Por isso hoje eu escrevo para quem ainda encontra tempo para brincar. Para quem nao corre só porque está atrasado. Para quem nao tem vergonha de chorar nem medo de reclamar. Para quem também investe em sonhos. Para quem come gelados de chocolate com gosto. Para quem ri mais de 3 vezes ao dia por coisas tontas. E para quem tem o bom senso de, de vez em quando, mandar o mundo ir dar uma volta numa órbita bem longe.
Para todos vocês: Feliz dia da criança.

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