Activista passiva

Uma amiga minha escreveu “Estou a comer uma salada com pepino. Gosto de emoçoes fortes.” No meu caso a frase seria “Estou a passar pelo centro de Barcelona. Gosto de emoçoes fortes”. Tais como, ser avassalada por uma correria de gente em fuga, seguida de uma perseguiçao furiosa dos Mossos d’esquadra.
Pois é. Eu estive ali, no sitio certo à hora certa (ou nao) depende do ponto de vista.
Inadvertida, lancei-me na recta final de uma manifestaçao a roçar o violento. Confesso que a minha participaçao involuntária nao foi nada gloriosa. Assustei-me, soltei um grito e desviei-me para a direita.
O importante era atravessar a rua. Estava a atrasada para o cabeleireiro! Urgia reavivar as minhas higlights, cortar e pentear. A noite prometia festao: Bob Sinclar in the house. Nós com ele e a sua crew na cabine do Dj e uma garrafa de Absolut na mesa. Grátis, evidentemente, que as highlights já sao caras o suficiente.
Eu até vi que as ruas estavam cortadas e até ouvi, claramente, todos os carros a buzinarem, e até estava ocurrente da manifestaçao do Parc da Ciutadella. Mas nesse momento a minha mente ocupava-se a contabilizar os segundos e a pensar se cabelo liso ou com caracóis para o penteado. Além disso, os dois polícias por quem passei também me viram perfeitamente. A mim e ao meu vestido azul com flores, os meus óculos de sol na cabeça e as minhas sandálias de salto. Exactamente que parte desta combinaçao grita “estou aqui para sair a fugir com a manifestaçao”?
Podiam ter avisado. Um simples “é melhor pelo outro lado” ou “tenha cuidado” teria sido bem-vindo.
Nada. Ou como se diz em catalao: rés de rés.
Mas também, qual seria a emoçao de viver se, de quando em quando, nao fossemos supreendidos (de costas!) por uma avalanche de gente indignada a fugir de plícias armados e confirmadamente agressivos?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O síndrome de Bridget Jones

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!