Trabalhos

Dizem que não há trabalho. Eu tenho 3. E 1/4. Um voluntariado de escrita, chamemos-lhe assim. Voluntario-me a larga distancia num suplemento do jornal i, com crónicas de eventos desportivos. Assim como quem não quer a coisa, sai aos Sábados.
Depois, tenho o meu full time job com contrato, donativo forçada à segurança social e 40 horas que se multiplicam enquanto o dividendo salarial se mantém sempre estanque. É um trabalho com nome pomposo: Directora de Comunicação de uma empresa catalã que tem uma cadeia de bares irlandeses e restaurantes. Tao longo que não poucas vezes me pedem que repita. Então eu simplifico: Faço a comunicação de uma empresa.
Mas como isso não chega para cobrir as minhas ambições migratórias e consumistas, agora que se acabou a papa doce veraneia, decidi trabalhar de noite. Em vez de escrever posts revoltados sobre os avultados salários que se podem conseguir com trabalhos nocturnos que não requerem mais que uma boa imagem, decidi aproveitar essa dupla injustiça:
1- Injustiça de mercado – uma cara bonita vale mais por hora que um mestrado
2- Injustiça da natureza – eu tenho um mestrado e uma cara bonita
Posto isto lá estou eu, Sextas e Sábados, na porta de um clube na zona chic da cidade. Sou hostess! Alguns diriam porteira mas isso não é fashion. Quando muito seleccionadora, como o Paulo Bento.
As minhas amplas funções englobam manobrar um pequeno aparelho onde cada clic corresponde a uma pessoa que entra no local; não deixar entrar gente pouco apresentável; não deixar sair gente com copos na mão; sorrir e dizer boa noite. E mais qualquer coisa que agora não me lembro... ou não. Não. É mesmo só isto. São tarefas que se podem complicar quando entra e sai muita gente ao mesmo tempo. Aí é provável que se me escape um copo para um lado ou um indivíduo com havaianas para o outro. Por isso tenho um ajudante, o Alex, um armário do leste versão clássica 4x4 com cara de poucos amigos. Ainda assim os meus pais manifestam preocupações em relação a esta nova actividade nocturna. Com o Alex no meu flanco, eu diria que estou a salvo. Nos momentos em que ele se ausenta então sim, não é propriamente impossível passar por mim e entrar ou sair como aos clientes bem lhes apeteça. Mas isso já não é problema meu. Eis o que mais me agrada neste trabalho. Absolutamente nada é problema meu. Se vem pouca gente, se não há stock, se falta staff, se a música pára a meio se, se, se... É um descanso psicológica verdadeiramente terapêutico. A minha mãe diz que estou a perder tempo pessoal. Mas bem feitas as contas onde é que eu estaria numa Sexta ou num Sábado à noite? A laurear a pevide, evidentemente. Assim, laureio na mesma, só que me pagam por isso. E quando o fim de semana termina e vem aquela sensação de que somos uns pamonhas e não fizemos nada de jeito nesses dois dias livres, eu terei sempre o conforto de haver feito algo que vai aumentar directamente o meu poder de aquisição. E só isso já não é nada mau nos tempos que correm.
Agora falta explicar o terceiro trabalho: hospedeira de eventos. Por exemplo, este Domingo estarei na Liga Catalã de basket, na zona vip da San Miguel, vestida com algum uniforme catita a sorrir e a dizer olá.
E depois haverá crónica no i sobre este frente a frente das melhores equipas catalãs de basket.
É o que se chama ser multitasking.

Comentários

Bells disse…
Gostei do seu blog
Segui de volta?
http://cantinhofeminino-bellarg.blogspot.com/

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