Valores em crise

Os pais já não querem que os filhos estudem e tirem um curso superior, um mestrado, um doutoramento. Afinal , o que vale um canudo na mão de uma pessoa competente em comparação com um bom remate de pé ou uma cara bonita?
Porque já não são válidos todos esses ensinamentos que nos inculcaram , todos esses filmes da Disney sobre a beleza interior, a bondade, o esforço, todo esse mito sobre o sacrifício por aquilo que achamos que vale a pena.
O que é que vale a pena hoje em dia?
Quem está a garantir o melhor futuro para os seus filhos: os pais que pagam o curso da universidade ou os pais que pagam a escola de futebol? É complexo. Mas muitos pais deixaram de sonhar com filhos doutores. Agora apostam por filhos que sejam jogadores de futebol e filhas que sejam modelos. Actores e actrizes, cantores e cantoras. E quem pode dizer que estão errados quando a taxa de desemprego esmaga todos os sonhos, auto-estimas e diplomas?
Também há gente com emprego. Sim. Eu tenho um emprego. Há quase 3 anos. O meu terceiro emprego na área em que me formei, Comunicação. Que sorte! Porque como se sabe todas as áreas de letras são uma utopia para conseguir um contrato. Sim, eu tenho um contrato. Ohhh devia ser a pessoa mais feliz do mundo. Do que é que eu me estou para aqui a queixar?
Estou a queixar-me de empresas que oferecem menos de 1000€ mas querem gente com formação, experiência e idiomas, disposta a trabalhar horas extras não remuneradas. E conseguem.
Estou a queixar-me do facto de que uma “hostess” de uma discoteca que trabalha 3 noites por semana, 3 horas por noite e não tem que fazer mais do que dizer “olá boa noite” ganha mais do que eu.
Nem é preciso chegarmos às celebridades. Não é preciso lembrar que os jogadores de futebol não sabem falar . Eles valem milhões de euros. Eu sei falar. Sei falar 6 idiomas. E valho pouco mais de 1000€.
Basta irmos a uma discoteca, a uma agência de modelos ou de hospedeiras de eventos. Para não mencionar o fenómeno das acompanhantes e da prostituição de luxo. Não é tão fácil julgá-las como parece se considerarmos que com um trabalho “decente” ganham 10 vezes menos e trabalham 10 vezes mais que com uma noite numa festa de elite com algum milionário.
Julgamentos à parte, a questão é que uma cara bonita vale muito mais que um bom currículo e um bom trabalhador juntos.
Claro que a cara bonita é efémera e o trabalho pouco compensador a nível de aprendizagem, experiência, desenvolvimento pessoal e profissional. E o que é que se faz depois? Quando a cara deixar de ser bonita?
Não sei. Mas sei que com aprendizagem, experiência, desenvolvimento transversal e um salário de 1000€ também não se faz nada.

Comentários

Verbo y verso disse…
Nacer con una inteligencia capaz de aprender y superarse es un don que no todos tienen: puede crecer si se utiliza.
La belleza del cuerpo es un accidente de la naturaleza, sujeta a modas y costumbres. Usarla la consume.
La decisión de ganarse la vida con uno u otro argumento, aparte de la casualidad, será la semilla para el tiempo de la madurez. Ahora hay que meditarlo.
Que conserves tu belleza interior cuando no quede la aparente.

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