Wake up!

Hoje o mundo acordou com a morte de Steve Jobs. Nao é a primeira vez que ele acorda o mundo. Nao. Acordou o mundo para a Apple. Para o Mac, para o ipod, para o itunes, para o iphone. E toda a gente sabe como é difícil acordar o mundo.
No entanto reside em nós, jovens, a responsabilidade de sermos os próximos a acordar o mundo. De nao deixá-lo cair numa latência dormente.
Estive a avaliar as minhas probabilidades de conseguir acordar mais gente que o meu namorado. A verdade é que nao sao muitas.
Gostava de ter querido ser médica. Curar pessoas, salvar vidas. Mas naquele Natal remoto em que me ofereceram o jogo de anatomia em vez do jogo de fazer chocolates, eu montei uma birra que nao deixou dúvidas: a medicina nao era para mim. E a cozinha também nao, nao se deixem enganar pelo jogo de fazer chocolates. Eu nao tenho paciência para esperar que a água ferva imagine-se se vou ter paciência para descontruir alimentos e inventar sabores. Eu sou mais de comer. E repetir.
Também gostava de ter jeito para desenhar. E usar o meu talento para mudar a moda, desenhar casas ecológicas, electrodomésticos bonitos, carros que nao ficam presos no trânsito, móveis funcionais nunca pensandos, post-its... enfim, qualquer coisa inovadora. Ou obras de arte que expressassem, que tocassem, que revolucionassem... Mas eu desenho uma árvore e parece um cogumelo, portanto nao vai ser por aí.
Também gostava de ter jeito para invençoes, tecnologia de ponta, de pontíssima! Coisas que nao sao necessárias até serem inventadas. E que quando sao inventadas se tornam imprescindíveis. Mas convenhamos, eu devo ser a única pessoa de Barcelona que nao tem um smartphone e nao usa o whatsup nem o skype, nem o twitter. Facebook sim, mas no princípio também nao queria. A única tecnologia que me interessa realmente sao os straightners para o cabelo, principalmente se tiverem cores e desenhos bonitos. De modo que na melhor das hipóteses poderia inventar uma máquina para secar o verniz das unhas em 1 minuto. Dava-me imenso jeito. Só nao sei até que ponto faria ruído suficiente para “acordar” o mundo.
Oh! Gostava de ter sido bailarina para deliciar o mundo com os meus passos. Porém, o medo da minha professora de ballett foi mais forte e pendurei o tout tout aos 11 anos. Gostava de ter sido cantora e compositora, levar uma mensagem arrepiante na voz! Mas ouvido e cordas vocais é uma combinaçao da qual sou totalmente desprovida.
E pronto, aqui estou eu, com um meio de meio século de vida, um curso, um master e um trabalho em comunicaçao. E uma vontade de acordar o mundo a escrever, porque de todas as coisas é o que faço melhor, ou menos mal. É uma vontade tao grande quanto utópica num país com um mercado literário minimalista,digamos, que para ajudar à festa está embargado numa crise sem saída. Chamaram-no de lixo e tudo. E “lixo” nao é uma coisa que se possa dizer no bom sentido.
Entao é isso, acho que por enquanto terei de me contentar em acordar o meu namorado. Se alguém aí tiver mais opçoes que eu, força! Porque os Steve Jobs nao duram para sempre.

Comentários

Anónimo disse…
Ola Alexandra: vai a "http://www.airpano.ru/files/manhattan/manhattan.html" e acorda tu.
e continua sempre a escrever...Eu gosto de ler, até moro ao lado de uma biblioteca!!
bjs - ruitio

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