De Triumph nada de nada


Então não é que andam todas as portuguesas furibundas com a última campanha de lingerie da Triumph? Queixas no facebook, comentários desalmados, posts agressivos nos blogs, uma indignação generalizada que elas não calam. Algumas conseguem dizer pior das modelos que tudo o que alguma vez foi dito sobre o Bush quando invadiu o Iraque. Dá pena. Porque as modelos são modelos. Só. Não são fotógrafas, nem editoras de imagem, nem produtoras, nem criativas, nem directoras de marketing, nem experts de publicidade ou tendências do consumidor, nem accounts de grandes marcas. Quer isto dizer que devem haver umas 50 pessoas para falar mal nesta campanha, antes de chegar às modelos. Afinal, não foram as modelos que decidiram fazer uma montagem amadora com clones de si mesmas lado a lado e as marcas brancas do Photoshop a contornar os braços. Também não foram elas que escolheram a cor de fundo com efeito reflector nem o tom de pele zombie metálico, tão pouco favorecedor. É que com essa cor até a Oprah Winfrey pareceria desnutrida.

Sim, a campanha é péssima, terrível, desastrosa. Sexista? E como é que se faz uma campanha não sexista quando o produto tem como objectivo exaltar o corpo feminino nos seus espaços mais íntimos? Mas não se preocupem que mesmo sem o sexista como crítica, não tem ponta nem peito por onde se lhe pegue. A imagem veio à luz do dia tão estranha que nem no escurinho se safava. Quem é que vai reparar nos soutiens quando o primeiro impulso é pensar que se trata do cartaz de estreia de “A Noite dos Mortos vivos”, esse clássico terrorífico dos anos 60. Mas as culpa não é das modelos. E, desculpem-me amigas, senhoras e senhoritas de Portugal, mas as moçoilas não me parecem demasiado magras e só não vê ali rabo quem não quer. Os comentários deles, incluindo o do que tenho cá em casa a quem obriguei a expressar-se a fim de obter uma base científica para este post, são positivos. Basicamente, elas ‘tão boas como ó milho. O que não impede que qualquer mulher com mais carnes esteja igualmente boa. Agora o que não é mesmo bonito, e não parece nada mais que despeito, é vir insultar as modelos e chamar à baila o cliché tão dejá vu dos padrões de beleza pouco saudáveis e blá blá blá. Tenho várias amigas modelos, algumas mais magras que estas até, e são fantásticas.E comem brownies de chocolate. Eu não sou tão magra nem tão alta como elas e não me sinto menos bonita por causa disso. Não me meto pela internet adentro a difamá-las, nem deixo de comer nada que seja de chocolate. Era o que faltava!Sou forte apologista de que há varias formas bonitas e o importante é que cada uma esteja confortável com as suas e compre a roupa interior da medida correspondente. Se não depois é uma chatice quando o mamilo sai por fora do soutien ou a cueca não se ajusta ao bumbum. Pelo menos nisso estaremos todas de acordo.

E noutra coisinha mais também: este Natal, a Triumph não triunfou.

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