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Os presentes de Natal

Aqui estou eu embrulhada num deles: um robe da Oysho quentinho, peludinho e fofinho, como Deus quer, ou deve ter querido no seu momento, em vez dos maços de palha, do hálito do burro e do estrume da vaca. Engraçado, como nos presépios o milagre do nascimento de Jesus parece muito mais poético. Não falte nunca a poesia, ou prosa no caso, que este Natal culmina com 4 livros novos, dois em inglês, do Ken Follet, e dois em português, bens preciosos quando se vive em Espanha e em Barcelona e todos os livros são em espanhol e em catalão. Da língua de Camões escolhi Saramago e uma nova descoberta, uma senhora que estudou na Nova e só por isso merece algo de compreensão.  Curiosamente, as temáticas são todas muito históricas, o Ken fala da Primeira e Segunda guerras mundiais, Saramago do cerco de Lisboa e a da Nova conta a história da Marquesa de Alorna. Este último comprei-o no aeroporto, tendo em mente a nota que o meu tio me escreveu no postal de Natal “Os trocos não são para comprar tr

Xmas shopping

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As compras de Natal têm pior fama que o filme de terror em que a Paris Hilton entrou. Por isso, uma pessoa já vai preparada: sapatos rasos e confortáveis, casaco fácil de despir para o caso de ser necessário um corpo a corpo pelo último jogo de lego, o último par de botas 36 ou o último exemplar do livro que ensina a fazer cupcakes, e uma dose gigante de paciência dentro da mala, tao necessária quanto o dinheiro ou o cartão de crédito. Pasme-se a surpresa, tirando a fila de embrulhos da FNAC, vivia-se um ambiente de grande pacificidade na baixa-chiado, durante a tarde do domingo pré-natal. Não sei se será a contenção ou a boa previsão de compras antecipadas, mas a multidão com que se esbarrava na rua, diluía-se nas lojas. Meio cheias, quase vazias, vazias de todo. De tal modo que uma senhora que nos atendeu pode tomar o seu tempo, apróximadamente meia hora, para nos fazer dois embrulhos pequenos, com muito aprumo e rigor. Claramente, não está qualificada para trabalhar no balcão de 

O sítio do Natal

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O mundo não acabou, não ganhámos a lotaria de Natal (nem o segunde prémio, nem o terceiro, nem o quarto, nem o quinto...) e as malas demoraram meia hora a sair no aeroporto da portela. Nenhuma novidade, portanto. Sentada em frente à porta de embarque, a ouvir o senhor que ligava a pedir a alguém que não se esquecessem de o ir buscar ao aeroporto, e a contar que tinha vomitado no autocarro, senti-me bem. Primeiro, porque eu não tinha vomitado, segundo, porque aquela pessoa, e todas as outras pessoas naquele perímetro, eram como eu. Porque são do Porto, do Benfica ou do Sporting, porque sabem que as irmãs do Cristiano Ronaldo são pindéricas, porque acham piada ao Ricardo Araújo Pereira, porque vivem numa República, porque conhecem pelo menos uma canção do Quim Barreiros, porque sabem a que sabe um pastel de nata e porque comem bolo rei no Natal. Porque sabem o significado da saudade. Que mais ninguém sabe. Pessoas que nunca tinha visto, pessoas que nunca voltarei a ver, pessoas que m

Yo, yo, yo!

Inscrevi-me num ginásio novo porque é ao pé de casa e tem funky. E o que é o funky perguntam vocês? De acordo com a web do ginásio novo, o centre d’esport municipal da Sagrada Familia, o funky é uma aula estilo aeróbica, cardiovascular com música, saltinhos, coreografias e muita diversão. De acordo com o professor, sim O professor (primeiro alerta de que algo está mal), o funky é uma dança inspirada no hiphop e não é nada aeróbica nem cardiovascular. Realmente, só faltou mandar-nos  pôr a cabeça no chão e começar a girar, como nos videoclips do JayZ.   É uma dança toda yo-yo-yo, toda atitude, toda from the block. O prof, yah o prof yo, vem vestido como se fosse jogar basket, t-shirt gigante e calções largos de cintura baixa, que vão até debaixo do joelho (segundo alerta). Eu, com raízes no ballet clássico, na dança do ventre e no rancho folclórico, senti-me um pouco fora de lugar. Mais que isso,  posso dizer que não passava por uma humilhação tão grande desde que levei a mochila da

É Natal? Onde?

O meu espírito natalício está abaixo de mínimos. Desde o roubo do iphone, sucederam-se pequenos desastres que a organização e burocracia espanholas se encarregaram de tornar devastadores. Primeiro, fiquei sem internet em casa e demorei 4 dias, uma deslocação à loja, duas chamadas e duas horas ao telefone, para conseguir que me abrissem uma incidência. Depois, foram mais 4 dias para que resolvessem o problema que era deles, da central deles e de mais ninguém. Entretanto, também fiquei privada dos serviços de chamadas e de internet no meu telemóvel, por um erro aleatório de configuração. Sem adsl, sem telemóvel e sem nenhum tipo de conexão à internet, o chão da cozinha começou a expulsar água, manifestando a sua raiva. Cada lavado de loiça equivale a uma pequena inundação. O que seria uma desculpa excelente para não lavar a loiça, mas não seria sustentável a longo prazo. Quando ponho a máquina de lavar é todo um manancial que desliza até a casa de banho onde, das raízes da retrete ta

Dizem que foi uma chapada na cara

Os jornalistas vieram de todos os cantos e recantos. E porquê? Porque é que na França e na Holanda e em Portugal querem saber o resultado de umas eleições regionais de Espanha? Uma correspondente do Japão, sim do Japão, sumarizou bem a resposta: porque não entendemos como é que a Catalunha pode ser independente, nós somos muitos, vivemos todos no mesmo país e ninguém se quer separar. Ora ai está o busílis da questão, os Catalães também vivem num mesmo país, estas não eram umas eleições regionais, eram nacionais. E o resto do mundo teve de vir cá espreitar, para tentar explicar, tentar entender. Não é uma questão de falta de espaço ou metros quadrados. É uma questão de cultura e sentimento. O controlo das suas próprias finanças é o único argumento lógico desta luta e, ainda que extremamente válido, porque é verdade que o governo central tira dos catalães para dar aos espanhóis, a independência não vem do bolso, vem do coração. Com isto em mente e as questões lógicas deixadas de lado

Fashion night out

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Este ano, o Natal chegou mais cedo a Barcelona. As ruas já estão iluminadas e o presente das lojas do Passeig de Gràcia caiu antes de Dezembro. A Vogue Fashion Night Out foi na quinta-feira, com o mesmo êxito das edições anteriores celebradas em invernosos Dezembros. Passámos de longe, quando os carros já podiam circular, e ainda lá estava todo o zumzumzum de quando tinha acabado de começar. Nós é que não estávamos, quando começou. Fomos até ao Hotel La Florida, que se estende sobre a cidade Condal desde o topo do Tibidabo. Onde se celebrava a verdadeira fashion night out, com a festa de despedida de um designer amigo do novio. Chegámos tão atrasados que quase nos misturámos pelo trilho do catwalk com as senhoras do jet set que se transformaram em modelos para o derradeiro desfile. Depois de décadas dedicadas às últimas tendências, o desenhador diz que vai começar agora, o resto da sua vida. E que melhor maneira de começar uma vida nova que com os amigos da vida velha, os media

Different phone same number

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Já tenho um telefone “inteligente” outra vez, qual fenix renascida das cinzas.  Depois do roubo do meu iphone 4s decidi renegar o fruto proibido da tecnologia das comunicações para experimentar algo diferente. E, de passagem, mais barato.   Até agora está tudo bem e recomenda-se: Samsung Galaxy SIII.   Já ativei a famosa aplicação find my phone, bloqueei o teclado com código, encriptei o telefone, fiz cópias de segurança e comprei uma capa cor de rosa. Não posso assegurar-me de que não vou ser roubada outra vez, mas posso encontrar o telefone, recuperar os dados e impedir que o ladrão tenha acesso imediato. Há um pequeno, grande, senão, no meio disto tudo, o fofinho do telemóvel é um teletijolo (com uma capa cor de rosa!) cujas dimensões extrapolam os meus dedos. Já sabia que era maior e no peso nao se nota   O iphone é, irrefutavelmente, mais prático nesse sentido. Ainda assim, o Samsung é mais flexível, mais veloz, com mais apps e opções de personalização. Fazer, fazem ambo

Treino de resistência CC

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Terça-feira foi dia de brainstorming. Mais de 7 horas de ideias, discussões, opiniões e conclusões. Poucas mas boas. Ainda assim, os intervenientes foram-se prostrando com o passar das horas. Um até teve uma baixa de tensão. Outro decidiu divagar pela arte do desenho, outro começou a pensar em problemas pessoais práticos. No fim, estávamos todos mas só sobrávamos dois. Eu e o líder de projecto. Para o que desse e viesse. Para mais 7 horas de reunião se fosse preciso. Acho o brainstorming estimulante. Gosto de questionar, discutir, responder. Gosto de aprender. Sempre gostei. Lembro-me do dia em que a minha mãe disse que já não estudava mais comigo, que eu era muito chata, porque não parava de lhe pedir para me fazer perguntas sobre uma matéria que já sabia de cor e salteado. Foi no quinto ano. A partir daí, as únicas perguntas que minha mãe me voltou a fazer foram as do Trivial Pursuit, versão familiar.   Eu gostava das aulas de história e dos testes de inglês e de português. Gos

Querida Apple,

 roubaram-me o Iphone e não tenho como te avisar para que me possas localizar o telefone e bloqueá-lo, fazendo uso dessa tão afamada tecnologia que anuncias na televisão e nos vídeos do youtube. Desculpa lá, porque não tenho um fax em casa. Desculpa lá, porque o ladrão que me roubou não segue o mesmo horário laboral que tu. Desculpa lá, porque liguei quando já não havia ninguém para atender a linha Apple Care. Não te preocupes, eu percebo,   só te importas com os teus clientes das 9 às 6, depois disso é cada um por si.  A Orange tem sempre alguém 24 horas pendente da sua linha de assistência  para cancelar o cartão imediatamente, evitando assim que este possa ser usado por outra pessoa que não seja o seu titular. Mas isso é a Orange. Tu és grande demais para estas badalhoquices.  Não faz mal, eu espero até amanha para ligar outra vez. Espero para, depois de 10 minutos a falar com uma máquina e outros tantos com uma agente que não me soube informar correctamente, ter

iThief

Conheço um mago  impressionante. Não faz desaparecer elefantes como o Luís de Matos mas consegue fazer desaparecer relógios dos pulsos das pessoas. A performance deste truque, que o vi fazer há poucos dias, fascinou-me. E deixou-me estarrecida de medo. O mago tirava o relógio do pulso da pessoa enquanto falava com ela, olhos nos olhos, sem que a pessoa (nem qualquer outro espectador) se desse conta. A pessoa só dava pela falta do relógio quando ele lhe dizia “Pode ser tão amável de dizer-me que horas são ” ao mesmo tempo que estendia o seu próprio pulso com o relógio “roubado”. A vítima, atónita, olhava de imediato para o seu relógio e confirmava que o mago não tinha um relógio igual ao seu. O mago tinha o seu relógio  É claro que o mago restituiu o relógio  Era só um truque. Mas é assim tão fácil fazer desaparecer as nossas coisas sem que nos apercebamos? A dúvida alarmou-me, mas não mais que 10 minutos. Até terã-feira passada, às 20.30. Na paragem de metro de Rocafort, onde todos