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A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

A didática da maquilhagem

Como um iphone S4 lhe pareceu ao meu príncipe pouco presente para celebrar o nascimento de Jesus, ele ofereceu-me também um curso de maquilhagem individual da M.A.C. com um vale de 50€ em produtos. Fui lá disfrutar esta semana e o que é que me acontece? A meio da sessao de maquilhagem, estrategicamente colocada na entrada da loja com vista à Rambla, um carro procede ao atropelamento de uma moto. A maquilhadora grita num salto de pânico (ainda bem que nao me estava a pôr o eyeliner se nao poderia ter-se dado um segundo acidente) e esquece-se completamente do meu olho a dois tons e meio de sombra. As pessoas começam a aglomerar-se em volta da moto, sacam dos telemóveis para pedir ajuda, as outras funcionárias da loja juntam-se ao festival, alguém entra a pedir uma cadeira para a condutora atropelada. E eu com o meu olho a dois tons e meio de sombra espero, paciente e bem comportada, que a minha cara volte a ser a proganista do momento. Estou tranquila e egocêntrica porque a atropel

O resgate

Otem, ao fim do dia, saí de casa para ir ao supermercado. Ao atravessar a rua, deparei-me com uma pequena criatura asiática em pleno pranto. Olhei à volta, numa busca ávida pelos progenitores da cria que já começava a roçar o ranhoso. Nao vi ninguém. Voltei a pousar os olhos no petiz. Esperneava e apontava para uma carrinha branca, da qual esperei ansiosamente que saísse o seu papá. Nao saiu. Entao vi modos do moço se fazer à estrada, ignorando completamente as cores dos sinais de trânsito. Indecisa entre a multiplicidade de idiomas possíveis para se abordar um enfant oriental em Barcelona, optei pela placagem. Sempre infalível quando a altura do alvo nao supera a nossa cintura. Impedi que ele se joga-se à estrada. Nao sei até que ponto a minha placagem o tranquilizou, acho mesmo que ter uma girafa a cortar-lhe o passo provocou um incremento considerável de choradeira. Tanto, que uma velhinha que por ali passava se compadeceu do espernear e me perguntou se o pequeno estava sozinho.

Ravioli

Às vezes faz falta ascender à açoteia da determinação e desafiar as leis da adrenalina. Tomar decisões abismáticas que outros não tomariam. Jogar pelo inseguro. Deixar atrás os conselhos, os ensinamentos, os maus pressentimentos. Descobrir mais para lá da nossa realidade comum. Querer chegar a esse ponto metafísico de nirvana. Ser arrogante o suficiente para ter a coragem de experimentar algo diferente. Abrir os sentidos ao incerto, acariciar o improvável como se nos conhecêssemos desde sempre e sempre fosse o estranho. Arriscar. Foi assim que ontem decidimos pedir ravióli flambés com manga, queijo de cabra e molho de coco. Delicioso.

Pisa-pisa-maos!

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Voltamos aos posts futbolísticos, com extrema carência de conhecimentos e precisao técnica mas com uma amplia opiniao egocêntrica. Nao vi o jogo. Enquanto Pep pisoteava Messi, eu assistia a uma comédia romântica com a Jennifer Lopez, o Matthew McConaughey e um pote de gelado da Haggen Daz. E, no entanto, tenho a sensaçao de ter estado no mesmíssimo Bernabeu. Como previsto, os media e as redes socias esquartejaram o jogo de ontem incessantemente e ao pormenor. Escapou-se-lhes apenas um detalhe, que eu anunciarei aqui em primeira mao. Mas antes, o resumo: O Barça ganhou outra vez, como em 13 dos últimos 16 encontros contra o clube de Mou, José Mou. Esta informaçao foi tirada do canal de televisao Antena3 e de nenhuma forma confirmada pela minha pessoa. Mas achei que adicionaria um toque de rigor ao presente post. Destaca-se do clássico a unanimidade jurídica da imprensa. Todas as letras gordas condenam Pep. Sim, estou de acordo, Pep é um cadidato cada vez mais forte a uma brilh

Escândalo real

A Espanha anda convulsionada. Dizem que é o maior choque a que se enfrenta a casa real. Ainda maior que o Golpe de estado de 1981. Iñaki Undargarin, marido da Infanta Cristina e, portanto, genro do Rei Don Juan Carlos, foi acusado de corrupção e fraude pelo desvio de dinheiro público através de uma instituição sem fins lucrativos, o Instituto Noos, da qual era gestor. Além das contas em paraísos fiscais há o palácio de Pedralbes, residência do casal e filhos na zona mais chique de Barcelona, comprado com dinheiro “sem fins lucrativos”. Um delicioso escândalo que eclodiu que nem uma bomba na Zarzuela. Mas palpita-me a mim, simples plebeia, que era uma bomba relógio cujos tic tacs se faziam ouvir há vários anos entre toda a família real e até aparecerem na televisão não incomodavam a ninguém. Reitero que é uma opinião completamente pessoal fundada em que quando alguém compra um palácio que está fora do seu poder de aquisição, sabe muito bem de onde o dinheiro vem: ou ganhou a lotaria,

Baixa em alta

Faz hoje uma semana dessa fatídica tarde em que decidi entregar-me aos cuidados operativos do sistema de saúde público italiano. Péssima decisão. E eis que se pudesse voltar atrás, não voltava lá. Ou então sim, só para furar o motor do barco da médica que me abandonou. A minha “sexta-feira 13” chegou, portanto, com uma semana de antecipação. Pergunto-me se será em sinal de comemoração que hoje os belos pontos que me fizeram MAL, estão a estrebuchar mais do costume. Mas antes que me entusiasme nos queixumes e na leviandade crítica ao Hospital San Giovani e Paolo de Veneza, esse antro de médicas e enfermeiras que nem sequer tinha janelas com vista para os canais, vamos estabelecer algo positivo. As vantagens, miseráveis mas vantajosas, de ter sido operada. A primeira de todas é não ter de cumprir com nenhum horário de trabalho e deixar-me estar na preguiça dos lençóis até bem me apetecer. Depois, claro, há o facto do meu namorado se ter transformado num Ambrósio, que me conduz o car