Baixa em alta

Faz hoje uma semana dessa fatídica tarde em que decidi entregar-me aos cuidados operativos do sistema de saúde público italiano. Péssima decisão. E eis que se pudesse voltar atrás, não voltava lá. Ou então sim, só para furar o motor do barco da médica que me abandonou. A minha “sexta-feira 13” chegou, portanto, com uma semana de antecipação. Pergunto-me se será em sinal de comemoração que hoje os belos pontos que me fizeram MAL, estão a estrebuchar mais do costume. Mas antes que me entusiasme nos queixumes e na leviandade crítica ao Hospital San Giovani e Paolo de Veneza, esse antro de médicas e enfermeiras que nem sequer tinha janelas com vista para os canais, vamos estabelecer algo positivo. As vantagens, miseráveis mas vantajosas, de ter sido operada. A primeira de todas é não ter de cumprir com nenhum horário de trabalho e deixar-me estar na preguiça dos lençóis até bem me apetecer. Depois, claro, há o facto do meu namorado se ter transformado num Ambrósio, que me conduz o carro em caso de necessidade, cozinha, limpa, lava a loiça, ajuda-me a tratar dos pontos, traz-me o computador, leva-me o computador, traz-me água, chocolates, torradas, leite quente e até as minhas amigas! Não sei se se vai candidatar a ser canonizado ou se simplesmente achou que a falta de socialização estava a tornar-me mais displicente (chata) que o habitual, que realmente estava, mas qualquer das duas razoes resultou numa visita surpresa de duas amigas que muito agradou a minha pessoa. Os pontos até pararam de estrebuchar, por um bocadinho.
E ele, qual Ambrósio, deixou-nos no sofá à conversa e limitou-se a servir-nos as bebidas e os aperitivos que ia preparando. E os morangos com açúcar! As amigas todas babadas, que tão lindo, que tão querido, que tão fofo, que se não tinha nenhum amigo igual a ele para lhes apresentar.
A derradeira vantagem, que depois destas 3 já só me ocorre um nao parar de desvantagens, é esse carinho inesperado, esse compadecimento tocante, essa preocupação genuína de familiares, amigos, chefes e conhecidos. Pessoas que me escrevem, me telefonam, me enviam desejos de melhoras digitais e até se perdem pelos caminhos sinuosos detrás da montanha do Tibidabo, para vir visitar-me a este arredor de Barcelona onde vive o Ambrósio. Um sítio “bem” diz ele, mas extremamente mal posicionado. E isto faz-me sentir especial. Com um azar do caraças, uma depressão ligeira, umas ânsias de recuperar a normalidade das minhas atividades rotineiras, principalmente essa tão essencial que é sentar-se. Ainda assim, especial, com tanta gente que me quer bem.
Agora se os pontos deixassem de estrebuchar, tudo seria perfeito.

Comentários

Anónimo disse…
Fizeste o teu mestrado en DCEI na UAB???

nuno

nunofonseca83@msn.com
Ale disse…
nao tem nada a ver com o post em questao mas sim, fiz esse mestrado.E nao recomendo.

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