Chez lui

Ontem, na casa dele:
- Então, o que é que temos para jantar?
- Hum há frango… e há atum.
- E não há mais nada?
- Sim, há tudo! – Diz ele orgulhoso, enquanto abre com veracidade a porta do armário para eu poder vislumbrar dois pacotes de sopa de abóbora, uma lata de palmitos e botezinhos de arroz que prometem estar prontos em um minuto. “Tudo” é, realmente, um conceito fascinante.
- Hum, podemos comer a sopa. Mas eu estava a perguntar se não havia algo de mais sustento. Só há frango e atum?
- Sim.
- Mas não foste fazer a compra do mês?
- Fui.
- E não compraste mais nada? – pergunto eu, o desespero a trespassar pelo meu olhar incrédulo. Ele acanha-se, encolhe-se, põe carinha de peluche fofinho e diz:
- Eu só como isso…
Ahá! Não deixem que a carinha de peluche fofinho vos engane caros leitores e permitam-me fazer aqui um parêntesis, um asterisco, uma nota, qualquer coisa para deixar claro que a fatualidade da dieta dele engloba imensamente mais do que o que ele declara. Por exemplo, quando vem a minha casa, come estrogonoff, bifinhos de perú, risottos, salmão, hambúrgueres, pastas várias (não exclusivamente com atum) e frango, sim, também há frango cá em casa, mas em várias versões: com caril, com molho quatro queijos, à parmeggiana…
E ele come, ah se come! O que se passa é que ele só se dá ao trabalho de cozinhar frango com sal grosso, o único tempero que domina, e cozer massa com atum. Ah sim, quase me esquecia, e aquecer os botezinhos de arroz no micro-ondas, para acompanhar o frango insonso.
Comemos a sopa de abóbora de entrada e de prato principal fiz frango com molho de natas. Ele lambeu o prato com duas fatias de pão de forma. Quando terminou parecia que o prato estava lavado.
Hoje jantámos chez moi, que mesmo sem fazer a compra do mês, tenho mais variedade para além do peito de frango e do atum.
E a casa dele lá ficou, com 3 ou 4 kg de peito de frango congelado e 20 latas de atum. Não há quarentena que o possa apanhar desprevenido.

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