Estar in ou estar out eis a questao

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e o que é fashion já não é o mesmo que antes.
A spotlight abandonou o Messenger, o Big Brother, a cintura baixa, o corte reto, os filmes a duas dimensões, os happy hours e os restaurantes de comida tradicional.
Hoje o que está in são as redes sociais, o Skype, os iphones, os chats gratuitos nos telemóveis, as séries americanas (devidamente sacadas de sites ilegais), a cintura subida, as saias/vestidos assimétricos e os óculos 3D. Os Happy hours são uma questão mais bem legal que de voga posto que foram proibidos pelo governo catalão. Das lacunas da lei nasceram os “After work”, que são a mesma coisa com outro nome. Já os restaurantes de comida tradicional continuam deliciosos mas a recessão parece ter abrandado o desejo de comer cultura. No entanto, não travou a vontade de come fora e não ter de lavar pratos nem limpar as manchas de gordura do fogão. Assim sendo, importaram-se conceitos made in USA e no Japao. Popularizaram-se e massificaram-se. Trendy que se preze não passa uma semana sem ir a uma hamburgueseria e a um sushi. De repente, do dia para a noite, começaram a proliferar em cada esquina, a receber patrocínios, a organizar festas.
Barcelona trocou as batatas bravas pela carne picada e o peixe crú.
Eu estou imediatamente meio excluída deste mundo de glamour porque não como sushi. Nao gosto de peixe cozinhado imagine-se se vou gostar do bicho no seu estado natural.
Mas posso-vos contar que o Filete Russo, o Kiosko, o Heart Burger ou o Meatpacking estão a tope de gente em todas as refeições. Não estavam à espera que falasse do McDonalds e do Burger King pois não? Comer um hambúrguer agora é chique, é in, é cool. Mas só se for num sítio com um nome a condizer e sem tabuleiros.
Outra coisa que move multidões é um “brunch”. Sendo Espanha o país da Europa com o nível de inglês mais fraco, aposto um dedinho mindinho que metade dos frequentadores do “brunch” não sabem o que a palavra significa e a outra metade nem sequer sabe que significa alguma coisa. Mas lá está, a semiótica não abre negócios e o “brunch” transformou-se numa marca potente, mesmo ali ao lado dos hambúrgueres e dos pauzinhos molhados em soja.
Isto tudo para dizer que ontem fomos a uma hamburgueseria/brunch, o já supramencionado Meatpacking, que é um sítio muito giro, muito fofinho e onde qualquer semelhança ao famoso “Pastis” no bairro Meatpacking district em Nova York não é uma pura coincidência. Começando pelo nome, passando pelo cardápio, pelo template do cardápio, pelo conceito e terminando na identidade visual, ou falta dela, dependendo do ponto de vista.
Mas nós fomos, esperámos, comemos, subimos uma foto ao perfil do facebook e, como se tal não bastasse, fizemos um check in no facebook places.
Acho que a este tipo de comportamentos se chama fashion victims.
Mas vai daí os fashion victims são a única coisa que nunca sai, que nunca pode sair, de moda.

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