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A mostrar mensagens de Março, 2012

Os calçots

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Para ser uma quase catalã mesmo à séria, havia um ritual em falta: comer calçots. Assim escrito soa a calçado e sola de sapato. Mas o calçot não só é comestível como envolve todo um ritual festivo designado por “calçotada”. Os amigos juntam-se numa tarde de sol, num qualquer restaurante com esplanada ou casa com jardim, e bebem, conversam, riem, ouvem música (opcional) e comem calçots. E sujam aos mãos, porque comem calçots. E ficam com mau hálito, porque comem calçots. E disparam gases (por isso é que tem de ser ao livre), porque comem calçots. Assim até a sola de sapato já parece mais convidativa não é verdade? A calçotada é uma espécie de barbeque mas com um convidado de honra, que vem servido em abundantes quantidades e é feito no carvão. Pelo que chega às nossas mãos carbonizado. E digo mãos porque o calçot se come com o tacto, à la selvagem. Porém, não pense o caro leitor que se trata apenas de javardice porque também existe um intensa componente técnica nisto de comer calçots. J

Paddy's day

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Nunca pensei que o dia em que se bebe whisky e guinness me fizesse trabalhar num Sábado, tarde e noite. Da mesma maneira que nunca se me ocorreu que a música irlandesa pudesse ser divertida, porque nunca se me havia ocorrido ouvir música irlandesa. Também não tinha traçado o efeito causa-consequência de beber pintas com colorante verde: xixi verde. Agora chapéus sempre usei, de várias formas e feitios. Exceto altos, de cor verde e de uma marca de cerveja. Tours também fiz imensos, pelas dunas das praias brasileiras, pelas cataratas do Iguaçu, pelo rio Sena ou pela mesmíssima Barcelona. Por bares nunca tinha feito, mas como a ideia foi minha, achei pouco ético vende-la sem experimentar o produto. E assim foi o meu Sábado passado, 17 de Março, dia de St. Patrick’s, santo padroeiro da Irlanda, país famoso por estar atolado na crise, mas anteriormente conhecido pelos seus típicos Irish Pubs onde o whisky e as pintas de cerveja de marcas como Guinness são consumidos em vez de água. Foi

Feliz dia para o meu pai porque ele merece!

Nao sei quem estendeu o mar ali onde o vemos, como um infinito manto imperial de azul esverdeado e verde azulado. Nao sei quem pintou as nuvéns no cèu, nem se foi a mesma pessoa que inscreveu nele os segredos da noite com a requintada forma de estrelas. Nao sei quem teve a genial ideia de inventar o chocolate e todo o seu delicioso cla de derivados. Nao sei meio universo, nem um quarto, nem um grao de areia de porquês ou para quês. Mas sei que se deve deixar uma gorgeta generosa quando o atendimento é bom. Sei que tendo a oportunidade, se deve ajudar quem precisa mais do que nós, mesmo que seja com pequenos gestos. Porque para eles podem ser grandes. Sei que nem sempre podemos responder o que gostaríamos, mas que nunca devemos perder o nosso brio. Sei o que é uma mexerica, um picolé, ou um canudinho. Sei que sem esforço e dedicaçao nao vou conseguir nada. Sei que toda a gente deve ser tratada com educaçao. Sei todos os personagens da Turma da Mónica. Sei que há uma inteligência em

Uma fantasia

Fantasias. Diz-se fantasias e a imaginação dá corda aos sonhos. Os pelos esticam-se o mais alto que podem como se tentassem alcançá-las. As fantasias são como os gelados, há de todos os sabores. Ultimamente tenho andado a comer um gelado algo amargo, de chocolate negro digamos. É uma fantasia que acalento, desde a semana passada, fará amanhã sete dias de aniversário, tão fofinha. Consiste, basicamente, em cometer um homicídio duplo premeditado em primeiro grau e tudo mais que faça disto uma a coisa digna de um episódio do CSI. Nada mais aceitável quando se paga o aluguer religiosamente, não se monta festas nem qualquer categoria de convívios que possam perturbar o sossego dos vizinho e, não obstante, se sofre uma privação de elevador vivendo no NONO andar. Repito, NONO andar. Pensava que eram 8, mas no outro dia reparei-me que o primeiro já é o segundo, o que torna tudo ainda pior. São nove angustiantes lances de degraus numa asfixiante forma de caracol. Todos os dias, pelo meno

http://www.ionline.pt/mundo/john-perkins-portugal-esta-ser-assassinado-muitos-paises-terceiro-mundo-ja-foram

Este artigo é tao bom e tao frustrante. Acordamos, vamos trabalhar, é uma chatice até lá e chegar, seja o trânsito insuportável seja o metro sem lugar para sentar e odor a gente. Quando chegamos as cosias nao melhoram, mais chatices, convenhamos, trabalhar é sempre chato. E depois de trabalhar há as tarefas domésticas, um rol infinito de tarefas domésticas, pequenas chatices. E há quem tenha filhos, que por si só já sao toda uma tarefa. Os dias passam sem que se dê por eles. Ah, já estamos quase na Primavera! Para nos abstrairmos dessa alienaçao proletária vamos passear, vamos de férias, vamos sair à noite, tomar um copo, rir com os amigos, vêr um filme. Momentos sem chatices e sem problemas. O problema é que há uma chatice muito maior pairando como uma nuvém negra por cima de todos nós. Uma chatice que faz as nossas chatices parecerem formiguinhas atarantadas cá em baixo. É uma chatice chamada sistema, mas nao se explica pelas leis da termodinamica. Explica-se mais pela anomi

Surpresa de S.Valentim em Março

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Ele pediu-me que reservasse o Sábado e enfatizou na mala, supostamente para pernoitar chez lui. Ok. Porém, pela manha, o ok desvaneceu-se em laivos de tosse e uma garganta esganiçada. Era dia de ficar de cama. Não ia ser fácil explicar o adiamento da surpresa, pendente desde o dia dos namorados. Por isso decidi telefonar. Assim, se a tosse e a garganta não o compadecessem o bastante, a eminente afonia seria o golpe final. E com essa réstia de voz de garrafão que me sobrava perguntei: Podemos adiar? Não, não, tem que ser hoje! Mas podes dormir uma hora mais. E não te preocupes, que onde vamos vais poder relaxar. Resumi-me ao silêncio. Primeiro, porque um tão contundente não, exclui espaço a argumentação e segundo, porque acabava de gastar o pouco que me sobrava de voz, em vão. Ironicamente, a parte em que eu ia poder relaxar foi a que me deixou mais nervosa. Só espero que não seja um spa! Não gosto de spas. Não gosto de estar parada com a cara amachucada no buraco de um colchão e e