Surpresa de S.Valentim em Março

Ele pediu-me que reservasse o Sábado e enfatizou na mala, supostamente para pernoitar chez lui. Ok. Porém, pela manha, o ok desvaneceu-se em laivos de tosse e uma garganta esganiçada. Era dia de ficar de cama.
Não ia ser fácil explicar o adiamento da surpresa, pendente desde o dia dos namorados. Por isso decidi telefonar. Assim, se a tosse e a garganta não o compadecessem o bastante, a eminente afonia seria o golpe final. E com essa réstia de voz de garrafão que me sobrava perguntei: Podemos adiar?
Não, não, tem que ser hoje! Mas podes dormir uma hora mais. E não te preocupes, que onde vamos vais poder relaxar.
Resumi-me ao silêncio. Primeiro, porque um tão contundente não, exclui espaço a argumentação e segundo, porque acabava de gastar o pouco que me sobrava de voz, em vão.
Ironicamente, a parte em que eu ia poder relaxar foi a que me deixou mais nervosa. Só espero que não seja um spa! Não gosto de spas. Não gosto de estar parada com a cara amachucada no buraco de um colchão e estranhos a tocarem-me o corpo, não gosto de tratamentos em piscinas interiores, águas miraculosas, esguichos a pressão e coisas que consistem em estar muito tempo parada, a relaxar. Eu sou mais pára-quedas, jet ski e montanha russa.
O carro arrancou, era um dia de sol e o desejo de ficar na cama foi rapidamente esquecido.
O que é que estás a fazer?
Vou deixar o carro aqui para ele estacionar.
Mas nós não vamos almoçar ao hotel.
E ele sabe lá onde é que nós vamos.
Facto aceite. Saímos do carro. Enquanto um senhor guardava as chaves do carro, outro vinha com o trolley das malas e ele, ele estava a abrir o porta-bagagens. Entao percebi tudo.
Não íamos passear à beira-mar e almoçar por aí. Felizmente, também não íamos a um spa. Íamos passar um dia e uma noite num luxuoso quarto de um hotel 5 estrelas.
E não era um hotel 5 estrelas qualquer, era o Hotel W Barcelona, construído sobre o mar em forma de vela e 100% revestido a janelas de vidro.



Sorriso!
O quarto, no décimo quinto andar, tinha uma pintura em vivo e tamanho real embutida no lugar da janela. Via-se desde o dedo do Colón no vértice da Rambla atá as 3 chaminés de Badalona. E daí em retrocesso até ao Cristo do Tibidabo, passando pela Sagrada Família e pela Torre de Agbar. Até que os olhos desaguavam na areia, nas palmeiras, no mar. Imenso.

E o sofá deitava-se em frente deste fresco modernista, como uma long chaise infinita que convidava o corpo a ficar ali para sempre, imerso nas almofadas brilhantes.
Assim até eu gosto de relaxar!

Claro que ele tentou introduzir o tema da viagem pelo spa e da massagem a confirmar, mas a sesta foi revigorante o suficiente (e longa também), maneiras que não houve spa para ninguém. Foi um óptima maneira de não fazer nada, fazendo algo diferente. (E de relaxar sem ir ao SPA).
Na manha seguinte, o pequeno-almoço continental foi servido no quarto e degustado à janela, praticamente como se estivéssemos a fazer um piquenique de Primavera.


Lá em baixo o reboliço das pessoas era constante, de patins, de skate, de fato de banho!
Sim, havia gente no mar. Nós estávamos no céu, de roupão lascivo, fornecido pelo hotel, a extrapolar o voyeurismo alheio.
Acordei com voz.
Mas continuava sem palavras.











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