Uma fantasia

Fantasias. Diz-se fantasias e a imaginação dá corda aos sonhos. Os pelos esticam-se o mais alto que podem como se tentassem alcançá-las.
As fantasias são como os gelados, há de todos os sabores.
Ultimamente tenho andado a comer um gelado algo amargo, de chocolate negro digamos.
É uma fantasia que acalento, desde a semana passada, fará amanhã sete dias de aniversário, tão fofinha. Consiste, basicamente, em cometer um homicídio duplo premeditado em primeiro grau e tudo mais que faça disto uma a coisa digna de um episódio do CSI.
Nada mais aceitável quando se paga o aluguer religiosamente, não se monta festas nem qualquer categoria de convívios que possam perturbar o sossego dos vizinho e, não obstante, se sofre uma privação de elevador vivendo no NONO andar. Repito, NONO andar. Pensava que eram 8, mas no outro dia reparei-me que o primeiro já é o segundo, o que torna tudo ainda pior. São nove angustiantes lances de degraus numa asfixiante forma de caracol. Todos os dias, pelo menos duas vezes. Ou 4, nos dias que volto a sair de casa depois de regressar do trabalho. Se entretanto tiver de voltar atrás por ter-me esquecido da carteira ou do telefone então, já só vislumbro o suicídio.
O elevador não tinha um odor agradável, não funcionava sempre, aterrava ferozmente em cada andar e tinha infiltrações e vá, alguns mosquitos. Mas pelo menos subia e descia como Deus manda!
Decidiram arranjá-lo. Fantástico. Parece-me muito bem como ambição para um condomínio ter um elevador decente. O que já não é nada decente é meter dois trolhas preguiçosos a trabalhar nos arranjos do elevador durante, disseram-me os mesmos com certa indignação “duas semanas” mais os 5 dias que já levavam de “trabalho” quando lhes perguntei. E sim, reitero, disseram-me “duas semanas” com um ar indignação, como se estivessem a construir as pirâmides do Egipto e fosse pois inconcebível que terminassem a obra em menos de meio mês!
Como é que é suposto subir a compra do mês, ou da semana, ou do dia, pelos nove andares de escadaria em forma de caracol? Se quase não caibo eu sozinha e se aí pelo quarto andar já estou mais arfante que o Obikwelo a cortar a meta!
E para o regozijo final, adivinhem, os trolhas começam as obras às 8 da manha! E, claro, não há melhor forma de começar o dia do que poder dormir are às 10 da manhã e em vez disso acordar às 8 com martelos e furadoras bem pertinho dos nossos ouvidos ensonados.
Assim sendo, acho que tenho o direito plenamente legal e complacente de fantasiar o desaparecimento dos dois trolhas. Fantasio ameaçá-los com uma faca da cozinha, daquelas sem ponta vá. Outra derivação possível seria o típico rolar pelas escadas abaixo ou, ironia das ironias, cair dentro do buraco onde antes havia um elevador com utilidade e agora há apenas um grande vazio.
Não sei, amanha quando passar por eles, depois de ter descido uns 6 andares e de ter sofrido um despertar traumático às 8 da manha, de certeza que se me estimulam mais fantasias.

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