Um clássico

Clássico é o ballet. Clássico é o Da Vinci. Clássico é o Mozart. Clássico é o Homero. Clássico é o Partenon. Clássico é um Chrysler dos anos 50.
Um Barça – Madrid é bem mais uma tourada que um clássico.
São 11 marmanjos de cada lado aos pontapés numa esfera, com sistemáticas escupidelas para o relvado e insultos que caem como chuva em noite tempestade. E depois andam todos à batatada. Sempre. Pior que o Mercado do Bolhão.
E no entanto é assim que lhe chamam - “El clássico”. Aqui, aí e na home page da skyports.
Na verdade, o nome é irrelevante quando soam outros como Mourinho e Guardiola, Messi e Cristiano, Puyol e Casillas, Piqué e Sergio Ramos, Xavi, Iniesta, Dani Alves, Busquets, Pedro, Valdés… Desculpem lá, mas é que conheço melhor a equipa da casa. Os “culés”. Insígnia que deriva de que no primeiro estádio desta equipa, estádio humilde e pequeno, quando os espectadores se sentavam nas últimas bancadas a gravidade fazia as calças descerem ligeiramente e quem passava ,distraidamente, pela rua, tinha a oportunidade de ver… filas de cús. Esta é, provavelmente, a facada final em qualquer associação possível com a palavra “clássico”.
A panóplia de coisas que uma pessoa aprende a viver na Cidade Condal não é verdade?
Até então, também desconhecia essa sensação de reboliço nervoso com excitante arrepio que antecede “el clássico”. Um Benfica – Porto não é assim. Começando pela qualidade das equipas. Hoje jogam duas das melhores do mundo, o resultado praticamente define o vencedor da Liga de Espanha. Joga o catalão contra o castellano. Joga a capital centralizadora contra a comunidade independentista. Joga o jogo para ganhar contra o jogo bonito.
Não é só um jogo de futebol.
Por isso hoje, as pessoas vestiram a camiseta, as televisões preparam programas especiais, os jornais atingiram o cúmulo da especulação e os bares duplicaram o pedido de cerveja.
Hoje às 8 da noite não haverá vivalma a passear pela rua.
O tempo parará durante 90 minutos mais os descontos e o intervalo. Vai ser uma montanha russa aos loopings noutra dimensão espácio-temporal com uma entropia de tensões, valores, ideologias, ódios e amores.
Hoje vai doer.
E eu, com um imenso, enorme e gigantesco pesar, vou estar a trabalhar. Num sítio imune ao desporto rei. Vou espreitar dissimuladamente as imagens sem som, se as tiverem. Vou estar à espera de ouvir os foguetes que anunciam a vitória dos “culés”.
Hoje, não é só um jogo de futebol.
É um clássico.

Comentários

Anónimo disse…
ai ai
no comments , please
beijocas , ruitio

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