Sardinhas nas cebolas

- That is Mosteiro dos Jerónimos.  It was built with the gold from Brazil back in the XVI century. The poet Luis de Camoes and Vasco da Gama, the man who discovered the maritime route to India, are now resting there.
- They are resting there?
- Yes, yes.
- Since the XVI century?
- Yes.
- Still???
- Yes.
- Ah...
Olhar de choque e espanto na cara da minha amiga holandesa, enquanto imaginava os esqueletos do Vasco e do Luís sentadinhos nos bancos da Igreja dos Jerónimos.
- I mean, they are resting in peace! They have been dead for 500 years...
 - Ohhhhhh!
A primeria vez da Fleur em Portugal ficou assim marcada por pequenas contradiçoes e mal entendidos. E fotografias panorâmicas com a máquina da minha irma.




Prometi-lhe bom tempo e festa de arromba.
O tempo esteve ranhoso e ela ficou doente.
Para duas vezes que visito a minha cidade natal, bem que S. Pedro, ou Santo António que era o mote, podia haver evitado tal desfeita.
Disse-lhe que íamos comer arroz de pato e bacalhau com natas a um restaurante típico muito bom, no Bairro Alto, onde durante anos eu levei todos os amigos bifes que passaram por Lisboa a comer iguarias nacionais.
O menu tinha mudado. Os patos voaram e bacalhau só com broa ou grao.
Falei-lhe de Sintra, do Cabo da Roca e de Cascais. Nao passámos de Carcavelos.
Disse-lhe que íamos um bar novo, que toda a gente diz que é giríssimo, chamado Pensao Amor. Toda a gente deve continuar a dizer que é giríssimo, menos nós, porque a Pensao Amor nao aceita hóspedes ao Domingo.
Quisemos visitar a Torre de Belém mas também estava fechada. Desta feita porque era segunda-feira e “toda a gente” sabe que os monumentos do Ministério da Cultura fecham às segundas-feiras...
Pelo menos os pastéis de Belém funcionaram. Os pastéis de Belém nunca desiludem ninguém.
Na noite de Sto. António, depois de sermos espremidas no infinito eléctrico mas antes de entrar no corpo a corpo por entre as ruas de Alfama, ela comeu sardinhas pela primeira vez, algures no meio do Campo das Cebolas. Momento histórico.  E cantou, entusiasmada, “Mexe, mexe que é bom”. Momento épico.
A viagem saiu de todas as maneiras menos daquela que eu tinha planeada.
Mas voltar a casa é sempre bom.
E no Santo António é ainda melhor.  

Comentários

Enolough disse…
o momento "mexe mexe que é bom" foi épico mas a altura em que foram testadas as skills de preparadora de sardinhas também teve a sua piada...

[isso e esperar duas horas por vossas excelências... esperei quase tanto como o Vasco da Gama]
Fati disse…
oh! eu também estive quase a noite toda no campo das cebolas. não vos vi...

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