9 de Julho

Já está.
Cruzei essa linha branca invísivel que determina, que dita injustamente, quem pode e quem
nao pode ter o cartao jovem.
Lembro-me de quando tirei o cartao jovem. Ainda nao tinha 18 anos. Agora... agora digamos que já nao tenho 18 anos. E gosto, finalmente, que digam que pareço mais nova.
Abri o facebook. As mensagens chegaram com bytes de todos os lados.
Do Algarve, dos tempos do ténis, do basket, do ciclo e do liceu. Tempos de inocência, inconsciência, que é como quem diz, felicidade em estado puro.  Amizades para sempre e cremes para as borbulhas.
Chegaram de Lisboa, com as memórias intelectuais da universidade, o peso da responsabilidade do primeiro trabalho, a música de fundo dos santos e o cheiro a pastéis de Belém nas férias do Natal.
Chegaram de Itália e arredores europeus num misto de extase e nostalgia desse meio ano na minha Terra do Nunca. Ah Erasmus, o que eu dava para estar outra vez aí contigo, outra vez aí com todos vocês!
Chegaram do Brasil! Com o calor da família,  a imponência dessa Sao Paulo imensa, o nervosismo do primeiro dia de estágio e a vontade de comer pastéis de palmito e pao de queijo.
Chegaram desde o México, Colômbia, Perú e outros recantos que um dia formavam uma só peça numa sala de aula de Master.
Chegaram desde a Índia e desde Macau, em nome desta nova geraçao de emigrantes, viajantes e sonhadores, cidadaos do mundo, como eu.
Chegaram desde Barcelona, em força, porque o presente é sempre imbatível. E este presente alarga-se há já 4 anos...
Chegaram em português, em espanhol, em italiano, em inglês e, como nao, em catalao.
Essas mensagens de parabéns encriptadas em uns e zeros, escarrapachadas no ecra do computador, espermidas no ecra do iphone, contavam, sem margem para décimas de erro, 26 anos de vida.
Já está.
Já tenho 26 anos.
Mais velha e mais feliz.
Mas a mesma de sempre.

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