Dos fracos não reza a história


“La historia se repite. Hace dos años, en mayo de 2010, Zapatero, bajo presión internacional, dio un giro total a su política, metió a España en el desasosiego y hundió su credibilidad de modo irreversible. El miércoles, 11 de julio de 2012 pasará a la historia como el día en que Mariano Rajoy dio un giro total a su política, se desdijo de sus promesas electorales y se amparó en las exigencias internacionales para eludir su responsabilidad. “Los españoles no podemos elegir si hacemos o no sacrificios. No tenemos esa libertad”, ha dicho el presidente. Unas frases así un gobernante solo debería pronunciarlas un minuto de antes de presentar su dimisión. Si no es capaz de hacerse responsable de las políticas que dicta, un jefe de gobierno no debe continuar.” In El País


Déjà  vu. Soa romântico, sedutor, meloso, refinado. E, no entanto, remete-me para José Sócrates e esse afundanço de Portugal num cesto de lixo europeu.  Um triplo desde o meio campo. A contar para o adversário.
Eliminação do 13º mês salarial, aumento do IVA, redução do subsídio de desemprego, aumento da idade da reforma, recortes laborais… pagar mais e receber menos. Onde é que eu já ouvi isto antes?
Ah pois é, foi ali na esquina da fronteira, de onde eu vim em busca de novas oportunidades.
Pois que me oferecem agora a fantástica oportunidade a de ver o Titanic outra vez, versão espanhola  2012 em 4D starring Mariano Rajoy. Como se eu já não tivesse visto o original vezes suficientes. Como seu eu não viesse de Portugal.
As greves gerais já estão a bater o pé, o consumo vai enfiar-se no armário e o desemprego vai assombrar ainda mais camas.
Viva a maioria absoluta. Santa mãe de todas as decisões antidemocráticas. Viva a quem acreditou nas promessas no Pai Natal. Lamento desiludir-vos, caros espanhóis,  mas ele não existe. E palpita-me que os vossos “reyes”  também não vão chegar cá no próximo 6 de Janeiro, porque, claro, o Iva dos presentes para o menino de Jesus vai ser de 21%! Como os reis magos entram na categoria da função pública também não terão direito ao subsídio de férias. A gasolina vai estar mais cara e de animais não podem vir que o Greenpeace não deixa. Está a coisa “muy jodida”.  Eu, se fosse o Belchior, começava já a apanhar conchinhas bonitas na praia para oferecer em vez do ouro .  E para o incenso e a mirra não há dúvida de que o melhor é aproveitar enquanto ainda há saldos.
Se bem que há uma lista de coisas que estão sempre em saldos, começando pela dignidade dos políticos. Um diz que a solução para o seu país é a malta mudar de país,  outro diz que recuámos a alguns séculos antes de cristo, aquando do Gladiador e da escravidão. Ele não disse assim, ele disse que Espanha não tinha liberdade para escolher, o que vai dar ao mesmo. Bienvenidos a la senzala espanhola. Toma chicotada!
 Estará Napoleão a rebolar dentro da tumba, tanto trabalho para que  3 séculos depois o Antigo Regime e a ditadura dos privilegiados esteja super in vogue por estas bandas.
Quem diz Napoleão diz os iluministas, as sufragistas, os do Maio 68, os da Primavera Árabe, os escravos dos romanos, os escravos dos gregos, os escravos dos portugueses, os escravos dos espanhóis e os escravos dos ingleses.   
A pergunta assalta-me, quem é este senhor para nos tirar a liberdade que a história conquistou?
A liberdade que herdámos por direito como cidadãos do estado de bem estar.
Bem estar de quem?
Ai liberdade, liberdade. Liberdade é poesia!  
Não ter coragem para dar a cara pelas suas próprias escolhas, isso já é só covardia.

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