O dia em que Espanha não ganhou

Deram-me entradas para ir ver o jogo de basket Espanha – USA,  um amistoso de preparação para os Jogos Olímpicos, no Palau St. Jordi.  O Palau St.Jordi  tão depressa é um concerto da Lady Gaga, como um torneio de snowboard ou um jogo de basket. Está em Montjuic, ao lado do Estádio Olímpico que, construído especialmente para os Jogos Olímpicos de 1992 e ao contrário do Palau St. Jordi, é agora uma espécie de Estádio do Algarve: não serve para nada.
As entradas incluíam um passe de acesso à zona VIP com direito a catering. E porquê eu na V.I.P do evento desportivo deste Verão em Barcelona, se a mim só me conhecem os meus pais?
Porque a empresa onde eu trabalho é um dos melhores clientes da empresa que patrocinava dito evento. Pelo que, marquei presença com o meu chefe, quem por sua vez marcou presença (e que presença!) com uma máquina fotográfica ao pescoço, uns calçoes e umas crocs azuis,  quando todos os demais convidados vestiam fato. Excepto os ex-jogadores de basket, imperdiveis desde do alto dos seus bem mais que 2 metros até para quem nao soubesse quem eles eram (como eu).
Quando o vi de crocs pensei que eram só para conduzir mais confortavelmente e que depois mudaria para uns sapatos de vela. Absolutamente plausível.  Mas depois de ter pensado isto, pensei que era um pensamento exclusivamente feminino. Quantos homens saem com dois pares de sapatos, uns para conduzir e outros, mais bonitos, para sair do carro depois?
Aproximadamente zero.
Quando fomos trocar os nossos passes pela pulseira V.I.P, empenharam-se em dar-nos antes o saquinho de merchandising. Oh senhores mas quem é que quer saber do merchandising quando está em jogo comida grátis? O meu chefe, preocupado que ficássemos só pelo saquinho, disse logo: “Pero para el catering?”
Nisto ,já vinha um jovem com as pulseiras, o que nos tranquilizou a ambos. Depois de umas quantas voltas, subidas e descidas, lá demos com o recinto V.I.P. Estava claro que teríamos que sair dali meia hora antes se queríamos ver o início do jogo sentados nos nosso lugares.
Não conhecíamos ninguém, o catering era bastante fraquinho e o fotógrafo chateou-se connosco porque o meu chefe, um catalão supremo, se recusou prontamente a tirar uma foto com a bandeira de Espanha (que vinha dentro do saquinho de merchandising, o qual ele estava explorar justamente quando o fotógrafo passou, apanhando-o com a bandeira aberta entre os braços). Posto isto, também não tínhamos demasiada vontade, nem motivos para permanecer na sala V.I.P.
Os nossos lugares eram coladinhos ao campo, mas separados um do outro.




















Ao meu lado estava um jovem  espanhol XXL que ocupava a sua cadeira e a minha e que, não obstante, não parava de comer batatas fritas de queijo.  E saltava e levantava os braços quando Espanha marcava. No princípio eu não sabia por quem torcer, mas depois de me sentar ao lado dele as minhas dúvidas dissiparam-se rapidamente: let’s go USA! E com ele veio também a motivação de regressar ao V.I.P no intervalo do jogo, ou a qualquer sitio que não cheirasse a batatas fritas de queijo.
Regressámos. Comemos mais um bocadinho. A dado momento, sentindo que seria a sua última oportunidade,  o meu chefe irrompeu pelos vips afora,  com as suas potentes crocs,  no encalço de Audie Norris - um negão de 2.06 metros,  ex jogador da NBA e do Barça. Eu ia atrás com a máquina dele, para tirar a foto (esta sim!).
Gostei de ver os USA ganharem à Espanha com aquela fantasia que só o basket da NBA tem.




















Começaram a perder e ainda estiveram empatados alguns minutos, mas depois  não deram hipótese. Os espanhois, mesmo com o Pau Gasol, pareciam amadores em comparação com os afundanços de costas dos americanos.





















O Kobey Bryant fez coisas com a bola que eu não sabia que a física permitia ( e eu joguei basket durante 7 anos)! O jogo terminou com 100 a 78 para os states e para minha imensa satisfação (na segunda parte o rapaz com quem eu dividia a cadeira já nem se pôs de pé e escassas foram as suas chances para levantar os braços e aplaudir. E as batatas fritas de queijo acabaram-se, inevitavelmente).
O meu chefe também voltou muito contente:  excitado como uma criança com a sua foto com Audie Norris e com uns croquetes que havia no V.I.P.




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