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A mostrar mensagens de Setembro, 2012

Felicidade extrema*

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“IMPRESSIONANTE.” Desfez-se a lividez da tez. Evaporou-se o suor frio nas mãos. E o coração lançou-se sem perder o compasso das pulsações. Só sobrou um sorriso rasgado de lado a lado. Quando viu o céu deixou de pensar. É normal. A 4km do chão. Tocou as nuvens, voo como um super-herói mas com mais coragem, por ser humano por natureza. Podia tudo isto ser um golpe de amor à primeira vista, um ataque de paixão assolapada. Por sorte, foi só um salto de paraquedas oferecido pela namorada.  Que desde o menos etéreo  o procurava incessantemente com a câmara içada ao infinito. “É o paraquedas azul com uma risca amarela”. Obrigadinho ó amigo. Essa informação tinha dado imenso jeito se não houvesse 20 paraquedas às cores a explodir no céu, impedindo a distinção certeira entre o amarelo e o verde fluorescente. Vai daí  estive durante 2 minutos a filmar alguém  que não era ele. Não que se note. Porque quando alguém está a aterrar depois de ter saltado de um avião

Os regalos

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Ele decidiu fazer uma barbeque para celebrar a sua triunfante chegada aos 35 anos de idade. Eu decidi comprar alguma coisa para fazer uma triunfante barbeque. Primeiro pensei num Karaoke, mas teria que ser dentro de casa, depois pensou num castelo insuflável, mas só havia com desenhos da Disney e foi então que se me aclarou uma epifania! Uma cama elástica! Procurar, reservar, telefonar, ir à loja, encomendar, pagar. E no meio de todo este processo, NINGUÉM se lembrou de me avisar que a cama elástica tinha um limite de peso de 80kg. Coisa que descobri apenas no dia da montagem, quando os senhores montadores me disseram que era para crianças. O site da Decathlon diz que é para adultos. Só não conta com adultos bem constituídos com mais de 1.90m. Sem outra solução em tempo útil, mandei montar na mesma, que quem aguenta 80kg aguenta 90... mais coisa menos coisa. Aguentar aguentou, mas quem saltou mais à vontade foi o sobrinho de um ano e outra criancinha de ano e meio. E eu.  Mai

Panico na surpresa

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Eu, que todos os dias quando abro a persiana dou de caras com as pombas brancas esculpidas entre as torres da Sagarada Família. Eu, que saio à varanda para ver o tempo e a primeira coisa que vejo são as gruas da Sagarda Família. Eu, que podia ter estado tão ricamente sentada nessa noita de Mercè a apreciar em pleno, desde um privilegiado nono andar, o show multimedia que fizeram na (já mencionada) Sagrada Família. Onde é que EU estava??? Eu estava no chamado andar terra, a tentar furar a multidão de milhares de pessoas e carros que entupiram, literalmente, a minha rua. E não estava sozinha, não, levava comigo uma caixa suficientemente grande para transportar uma televisão, preenchida com dois bolos de aniversário.Um para a noite, outro para o dia, como os sapatos. Vinha do cabeleireiro e o taxi deixou-me a 3 quarteiroes do meu destino porque as ruas estavam cortadas. Só para conseguir chegar à pastelaria tive que saltar por cima de muletas e crianças e empurrar ligeiramente var

A ode à vida matou-me de susto

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Jesus. Cristo. Senhor! Ia eu descendo a rua, descansada da vida, com os phones nos ouvidos a tocar o spotify em modo aleatório, quando fui arrebatada por um som seco e gritante, assustador, que não estava gravado em nenhuma lista do spotify.  Era uma coisa assim como as pancadinhas de Molière versao "Pesadelo em Elm street 3D".  Depois do primeiro susto, tentei ignorar. Mas o ruído aterrador insistiu, as pessoas à minha volta olhavam para o céu e eu, pronto, comecei a pensar o pior. Ai que se está a estatelar um avião na Sagrada Família, ai que nos estão a bombardear desde Madrid, ai que há mais vida no universo e decidiu vir respirar em cima das nossas Exmas. cabeças.   Ai que já vejo a inscrição na lápide: Alexandra Schütz filha, irmã e “novia” 1986 – 2012.   Tirei os phones, que numa emergência é sempre melhor ter todos os sentidos alerta. E eis que os momentos de estrondosos decibéis eram seguidos por laivos de vozes em gritos agudos e estridentes.  O TERROO

Não é difícil...

Depois de ver status do facebook, blogs, notícias e um email da minha mãe, cheguei à seguinte conclusão: as medidas de austeridade são mesmo idiotas. São burras. São surreais de tão incoerentes. Há uma coisa chamada think outside the box que geralmente é incompreendida e mal recebida pela globalidade das pessoas, mas define as maiores genialidades. E depois há o discurso do primeiro- ministro que geralmente é incompreendido e mal recebido pela globalidade das pessoas, mas só define a diarreia mental. Ocorreu-se-me um experimento sociológico simples, uma coisinha assim mesmo básica, para provar que o raciocínio do novo pacote de medidas “anti-crise” (ahahahahahahaha), tal como os anteriores,  insulta a lógica. Que a repudia! Que pronto, está mal. Que não pode ser!!! Então é assim, coloquemos a questão a uma amostra aleatória de 10 criancinhas entre os 6 e os 9 anos: Há uma quinta com laranjeiras. As pessoas da quinta têm que dar laranjas a um senhor chamado primeiro ministro

Interpretando Munch

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A Catalunha gritou mas a Espanha não ouviu. Ou não quis ouvir. A história é feita pelos vencedores e os catalães foram os derrotados a 11 de Setembro de 1714 (lado a lado com os portugueses), na guerra da sucessão do trono espanhol. Mas hoje, ou mais precisamente ontem, 11 de Setembro de 2012, eles decidiram escrever outra história, há muito esboçada. As sondagens variam entre 600.000 e 2 milhões de manifestantes. Estas cifras, pintadas com as cores da “Estelada”, a bandeira independentista, colapsaram Barcelona desde o cimo do Passeig de Gràcia até às margens da Plaza Urquinaona. Ia ser um movimento, mas veio tanta gente que se consumiu o espaço para movimentações e nasceu uma concentração. Uma multidão de todas as idades e de todas as nacionalidades, mas principalmente da catalã, evocou a liberdade, exigiu a independência para a Catalunha, o seu país. Aqui o 11 de Setembro não é um dia de luto mas de luta. As lágrimas, se as houver, serão choradas pela revolução.

A festa no barco

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Segunda era uma noite de descanso que se transformou num festival para lá do imaginável. Primeiro ia dizer que não, mas essa força motriz que é o dinheiro chamou mais alto. Estar com a lista de convidados de uma festa privada num barco das 9 às 11. Piece of cake.    Bar aberto e comida grátis. Toca a convidar as amigas.    O namorado colou-se ao plano, como bon vivant que é. Quando me disseram que esperavam 200 pessoas,    comecei a suspeitar que o “barco” não podia ser um barquinho comum e corrente. Quando chegámos ao porto    vimos uma multidão apinhada a tirar fotografias. OMG! Aquilo não era um “barco”, era um navio de cruzeiro! Fazia os iates que vi no Porto do Saint Tropez parecerem pequenas lanchas em segunda mão. E que prazer mais delicioso o de controlar quem acedia e quem não acedia a este pedaço de luxuria flutuante. Senti-me uma bad guy em toda a regra! Principalmente porque estava escoltada por 3 guarda-costas, mais outros tantos motoristas de mercedes que