Felicidade extrema*


“IMPRESSIONANTE.”
Desfez-se a lividez da tez. Evaporou-se o suor frio nas mãos. E o coração lançou-se sem perder o compasso das pulsações. Só sobrou um sorriso rasgado de lado a lado.
Quando viu o céu deixou de pensar. É normal. A 4km do chão.
Tocou as nuvens, voo como um super-herói mas com mais coragem, por ser humano por natureza.
Podia tudo isto ser um golpe de amor à primeira vista, um ataque de paixão assolapada.
Por sorte, foi só um salto de paraquedas oferecido pela namorada. 







Que desde o menos etéreo  o procurava incessantemente com a câmara içada ao infinito. “É o paraquedas azul com uma risca amarela”. Obrigadinho ó amigo. Essa informação tinha dado imenso jeito se não houvesse 20 paraquedas às cores a explodir no céu, impedindo a distinção certeira entre o amarelo e o verde fluorescente.
Vai daí  estive durante 2 minutos a filmar alguém  que não era ele. Não que se note. Porque quando alguém está a aterrar depois de ter saltado de um avião a última coisa que se vê é a cor dos olhos e o contorno do nariz.
Para descontentamento do rapaz, não filmei a parte em que ele estava a “controlar” o paraquedas. Pela descrição, foi a parte em que eu vi um para-quedas descontrolado a dar pinotes e piruetas num desvario celeste. E rezei para não ser o dele, já que desde o meu pequeno e humilde ponto de vista parecia que algo estava a correr mal. Afinal não. Afinal quem correu mais perigo fui eu que, colada à pista de aterragem para não perder pitada, tive que me desviar e refugiar para não ser derrubada por um ou outro paraquedista com pouca precisão, ou pura falta de vista.
Sobrevivemos os dois, o que é sempre bom.
Ele regressou triunfante, como se viesse do foguetão do Armagedom e tivesse acabado de salvar o mundo.  Vinha relaxado, vinha feliz, vinha em êxtase. Queria saltar outra vez!




















E repetia, com um brilhozinho nos olhos, “IMPRESSIONANTE”.
Este presente não vamos devolver e tenho cá para mim que ele não o trocava por nada.

























































*O título, bastante bonzinho até, foi escolhido por sua eminencia o paraquedista. 

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