As chaves que nunca te darei


Little Miss Schütz veio viver para Barcelona. Veio fazer uma “mestria” como ela diz. E, até encontrar casa, ficou chez moi. Uma convivênciaque correu mais ou menos lindamente, dentro do apertado possível que são 45 metros quadrados. 
Ao décimo segundo dia, numa sexta-feira,  little miss Shcütz partiu, para longe? Não. Partiu para o outro lado da Sagrada Família, a 5 minutos e meio a pé da minha porta. Foi aí que os problemas começaram.
Não fez a mudança toda de uma vez, portanto guardou as chaves para voltar no dia seguinte.  E voltou. Ai se voltou! Voltou às 11 da manha sem avisar nem tocar à porta. Eu, que tinha ido  dormir há sensivelmente 5 horas, depois de  trabalhar 5 horas de pé e dançar outras 5 horas mais, acordei num sobressalto com o barulho das chaves na porta.   
Abri os olhos para vislumbrar a petite e o amigo, a prepararem-se para entrar em casa. Em minha casa. Sábado de manhã. Por sorte, depois do careto que viram, tiveram o bom senso de recuar.
Disse-lhe que podia recolher os seus vestígios às 7 da tarde, porque a essa hora eu estaria a trabalhar.
Lá estive, sim sem senhor, de 7 da tarde às duas da manhã, os pés a xingarem-me forte e feio. Oh, só queria chegar a casa e atirar os sapatos ao ar. Pôr o pijama, comer qualquer coisa e dormir profundamente o sono dos justos.
Porém, ao abrir a porta, notei que não estava trancada. Estava certa de que a tinha deixado trancada. E havia luz. Eu tinha, definitivamente, apagado a luz antes de sair. Pois.
Little Miss Schütz e amigo estavam os dois sentadinhos na mesa,  de frente para os respetivos computadores, a usurpar a minha internet qual locutório em promoção.  ÀS DUAS DA MANHÃ! SEM AVISAR, PELA SEGUNDA VEZ NO MESMO DIA!!!
Nem um pedido de desculpa, nem uma mínima aceleração em apagar o computador e zarpar para o outro lado da Sagrada Família. O amigo, coitado, ainda estava meio sem jeito e insistia para ela se despachar. Mas ela qual quê! Como se estivesse em casa.  Dali não saía dali ninguém a tirava porque que ainda não tinha acabado o que estava a fazer.  Eu é que tinha chegado antes da hora que ela previa.  “Então, não era suposto já teres chegado!” disse ela muito indignada.  Claro, nitidamente o problema era o meu timing.  Portanto eu que me aguentasse à bronca, que tinha era de estar a trabalhar. (Little Miss Schütz não trabalha, nem usa saltos). Não me pude descalçar nem pôr o pijama. E as bolachas com leite comia-as de pé, no balcão de cozinha. Porque eu só tinha estado 6 horas de pé com high-heels, que diferença fazem uns minutos mais ou uns minutos menos não é verdade?
Inevitavelmente, ela terminou o que tinha a fazer na rede, seja lo o que isso fosse. Arrumou o computador, juntou as suas trouxas e, sempre com muita calma e paleio, pôs-se na alheta.
Depois de ser devidamente desapossada das chaves de minha casa. Ahhh pois é bebé! Acabaram-se as visitas “surpresa” e os acampamentos clandestinos em propriedade privada. 
Agora se quiser internet grátis já lhe disse que se pode fazer sócia da biblioteca. 

Comentários

ruitio disse…
Poor Little Miss Schütz . it is an injustice. yes it is. nobody likes her. and she is so amall and all alone in the world.it is an injustice. yes it is. You have no soul , you Big Miss Schütz!
Beijocas grandes para as duas, Barcelona já mal aguentava com o talento de uma, agora com duas vai ser de arrasar.Os locais que se cuidem mas vocês deixem-se de birras.

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