Viva os noivos!


Sim aceito, yes I do, si quiero. Todos os casamentos dizem o mesmo e no entanto não há um casamento igual a outro, porque o amor que os une é o mesmo mas os noivos são sempre diferentes.  Não que eu tenha frequentado muitos matrimónios. Dois, mais precisamente. Mas vejo imensos chic-flicks!
O meu segundo casamento foi na primeira sexta-feira chuvosa de Outono. O sol deleitou os raios só para fazer brilhar a alegria dos noivos. Ele de calças de ganga, ela de sabrinas prateadas. Nós, sem saber onde íamos. A noiva, irmã do namorado, já nos tinha avisado que ia ser uma coisa casual, mas ele não sabe o que isso é e foi de fato. Eu fui casual dentro do estilo, saia preta, top turquesa,  saltos e um colar grande e espampanante, no bom sentido,  para dar o charme. Pedi-o especialmente emprestado a uma amiga no dia anterior.
Quando chegámos ao enclave secreto, não sabíamos bem o que pensar, apesar da evidencia da miragem: fogões, fornos, mesas, panelas… era um casamento de group cooking! Quem quisesse comer teria de cozinhar e se tivesse mau não se podia queixar de mais ninguém se não de si mesmo. Genial!
Mais genial só mesmo a cara de alguns convidados, claramente sem nenhuma proximidade com a expressão mão na massa. Eu, pessoalmente, estava serena, 8 anos a viver sozinha conferem capacidades de sobrevivência gastronómica surpreendentes. Sim, mãe, já passaram 8 anos desde que tu e o pai me deixaram em Lisboa para o meu primeiro dia de aulas na Universidade.
Além do mais sabia que ia haver pelo menos uma pessoa pior do que eu e que ia estar a meu lado.  Perfeito.
Depois dos discursos sentimentais foram distribuídos uns temáticos aventais que passaram a ser a indumentária oficial da festa. Afinal,  tanto fazia o que é cada um levava vestido porque não se via nada. Eu, depois do trabalho de ir buscar o colar emprestado, não resisti e tive que conferir um pouco de charme ao meu avental também. “Antes muerta que sencilla!”
Seguiram-se os ovos pochet, os camarões, o tataki de atum e as vieiras, tudo confecionado pelos convidados, uns mais que outros verdade seja dita, enquanto as crianças esmigalhavam Oreos para a sobremesa. Aqui não se safava ninguém de dar o seu contributo culinário. O namorado teve azar, coitado, calhou-lhe ao lado do “professor”  e caíram-lhe logo uma frigideira e uma panela nas mãos.  Eu, que ao lado dele se me vê pequenina e insignificante, encolhi-me na cadeira e dediquei-me a comer os queijos e enchidos, servidos para ir aplacando a fome destes cozinheiros de mão vazia e barriga cheia.
O prato principal, entrecot, esteve a cargo dos chefs de verdade e foi servido com uma salada de queijo amanteigado e figos, que era assim do outro mundo.
Um casamento original, no mínimo.
E, por incrível que pareça, ninguém passou fome. 













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