Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2012

Dizem que foi uma chapada na cara

Os jornalistas vieram de todos os cantos e recantos. E porquê? Porque é que na França e na Holanda e em Portugal querem saber o resultado de umas eleições regionais de Espanha? Uma correspondente do Japão, sim do Japão, sumarizou bem a resposta: porque não entendemos como é que a Catalunha pode ser independente, nós somos muitos, vivemos todos no mesmo país e ninguém se quer separar. Ora ai está o busílis da questão, os Catalães também vivem num mesmo país, estas não eram umas eleições regionais, eram nacionais. E o resto do mundo teve de vir cá espreitar, para tentar explicar, tentar entender. Não é uma questão de falta de espaço ou metros quadrados. É uma questão de cultura e sentimento. O controlo das suas próprias finanças é o único argumento lógico desta luta e, ainda que extremamente válido, porque é verdade que o governo central tira dos catalães para dar aos espanhóis, a independência não vem do bolso, vem do coração. Com isto em mente e as questões lógicas deixadas de lado

Fashion night out

Imagem
Este ano, o Natal chegou mais cedo a Barcelona. As ruas já estão iluminadas e o presente das lojas do Passeig de Gràcia caiu antes de Dezembro. A Vogue Fashion Night Out foi na quinta-feira, com o mesmo êxito das edições anteriores celebradas em invernosos Dezembros. Passámos de longe, quando os carros já podiam circular, e ainda lá estava todo o zumzumzum de quando tinha acabado de começar. Nós é que não estávamos, quando começou. Fomos até ao Hotel La Florida, que se estende sobre a cidade Condal desde o topo do Tibidabo. Onde se celebrava a verdadeira fashion night out, com a festa de despedida de um designer amigo do novio. Chegámos tão atrasados que quase nos misturámos pelo trilho do catwalk com as senhoras do jet set que se transformaram em modelos para o derradeiro desfile. Depois de décadas dedicadas às últimas tendências, o desenhador diz que vai começar agora, o resto da sua vida. E que melhor maneira de começar uma vida nova que com os amigos da vida velha, os media

Different phone same number

Imagem
Já tenho um telefone “inteligente” outra vez, qual fenix renascida das cinzas.  Depois do roubo do meu iphone 4s decidi renegar o fruto proibido da tecnologia das comunicações para experimentar algo diferente. E, de passagem, mais barato.   Até agora está tudo bem e recomenda-se: Samsung Galaxy SIII.   Já ativei a famosa aplicação find my phone, bloqueei o teclado com código, encriptei o telefone, fiz cópias de segurança e comprei uma capa cor de rosa. Não posso assegurar-me de que não vou ser roubada outra vez, mas posso encontrar o telefone, recuperar os dados e impedir que o ladrão tenha acesso imediato. Há um pequeno, grande, senão, no meio disto tudo, o fofinho do telemóvel é um teletijolo (com uma capa cor de rosa!) cujas dimensões extrapolam os meus dedos. Já sabia que era maior e no peso nao se nota   O iphone é, irrefutavelmente, mais prático nesse sentido. Ainda assim, o Samsung é mais flexível, mais veloz, com mais apps e opções de personalização. Fazer, fazem ambo

Treino de resistência CC

Imagem
Terça-feira foi dia de brainstorming. Mais de 7 horas de ideias, discussões, opiniões e conclusões. Poucas mas boas. Ainda assim, os intervenientes foram-se prostrando com o passar das horas. Um até teve uma baixa de tensão. Outro decidiu divagar pela arte do desenho, outro começou a pensar em problemas pessoais práticos. No fim, estávamos todos mas só sobrávamos dois. Eu e o líder de projecto. Para o que desse e viesse. Para mais 7 horas de reunião se fosse preciso. Acho o brainstorming estimulante. Gosto de questionar, discutir, responder. Gosto de aprender. Sempre gostei. Lembro-me do dia em que a minha mãe disse que já não estudava mais comigo, que eu era muito chata, porque não parava de lhe pedir para me fazer perguntas sobre uma matéria que já sabia de cor e salteado. Foi no quinto ano. A partir daí, as únicas perguntas que minha mãe me voltou a fazer foram as do Trivial Pursuit, versão familiar.   Eu gostava das aulas de história e dos testes de inglês e de português. Gos

Querida Apple,

 roubaram-me o Iphone e não tenho como te avisar para que me possas localizar o telefone e bloqueá-lo, fazendo uso dessa tão afamada tecnologia que anuncias na televisão e nos vídeos do youtube. Desculpa lá, porque não tenho um fax em casa. Desculpa lá, porque o ladrão que me roubou não segue o mesmo horário laboral que tu. Desculpa lá, porque liguei quando já não havia ninguém para atender a linha Apple Care. Não te preocupes, eu percebo,   só te importas com os teus clientes das 9 às 6, depois disso é cada um por si.  A Orange tem sempre alguém 24 horas pendente da sua linha de assistência  para cancelar o cartão imediatamente, evitando assim que este possa ser usado por outra pessoa que não seja o seu titular. Mas isso é a Orange. Tu és grande demais para estas badalhoquices.  Não faz mal, eu espero até amanha para ligar outra vez. Espero para, depois de 10 minutos a falar com uma máquina e outros tantos com uma agente que não me soube informar correctamente, ter

iThief

Conheço um mago  impressionante. Não faz desaparecer elefantes como o Luís de Matos mas consegue fazer desaparecer relógios dos pulsos das pessoas. A performance deste truque, que o vi fazer há poucos dias, fascinou-me. E deixou-me estarrecida de medo. O mago tirava o relógio do pulso da pessoa enquanto falava com ela, olhos nos olhos, sem que a pessoa (nem qualquer outro espectador) se desse conta. A pessoa só dava pela falta do relógio quando ele lhe dizia “Pode ser tão amável de dizer-me que horas são ” ao mesmo tempo que estendia o seu próprio pulso com o relógio “roubado”. A vítima, atónita, olhava de imediato para o seu relógio e confirmava que o mago não tinha um relógio igual ao seu. O mago tinha o seu relógio  É claro que o mago restituiu o relógio  Era só um truque. Mas é assim tão fácil fazer desaparecer as nossas coisas sem que nos apercebamos? A dúvida alarmou-me, mas não mais que 10 minutos. Até terã-feira passada, às 20.30. Na paragem de metro de Rocafort, onde todos

Guggenheimiando

Imagem
As pessoas que não leem são mais estúpidas. Foi a conclusão a que cheguei depois de visitar as exposições do Guggenheim.  Longe do Louvre e longe de ser uma prova de maratona como o Prado, a exposição do Guggenheim é agradável. O cérebro não se entope de imagens, as ideias dos artistas não se baralham que nem ovos mexidos e temos tempo e calma para entender o que cada um deles nos queria dizer. Mas, para isso, é preciso ler. Claro. Como quem lê a direção do metro, as paragens do autocarro, os sinais de estacionamento, o menu do restaurante, o nome das ruas, a programação da televisão,  a sinopsis dos filmes,  a promoção fantástica dos saldos de Inverno!  Para entender, é preciso ler. “Oh! Aqui no! Noooo… Una Bañera?!” – disse com descarinho  e repulsa, a senhora que não leu, à sua amiga que se aventurava pela terceira sala da exposição de Oldenburg. Havia, de facto, uma banheira feita de cartão a brindar a entrada da sala. E um interruptor gigante, um telefone, uma retrete, tudo

Bilboko

Imagem
A geometria distorcida recebe-nos com braços arqueados quando entramos na cidade, guardada por Puppy, o cão que tem flores na boca em vez de uma mordaça. Mas o cenário de Alice no país das maravilhas, metido num quadro de Dali, só envolve o Guggenheim... ... o resto, o resto parece o Porto! As casas antigas apinhadas com graça à beira rio, as gentes de expressões duras, brutos chamam-lhes os espanhóis. Sim, porque os vascos, como os catalães, também não são espanhóis. O desejo de independência paira no ar, lado a lado com o fresquinho do Outono nortenho.  As várias igrejas aumentam consideravelmente o número de monumentos mas a Bilbao não se vai para ver, vai-se para comer. Os pintxos de Bilbao, expostos em toda a rua que se preze,  são a principal atração da cidade. Há mais bares de pintxos que turistas franceses no Guggenheim, que já são beaucoup  de beaucoup.  Nós comemos muito bem sim senhor, em dois mexicanos.  Na primeira