O sítio do Natal


O mundo não acabou, não ganhámos a lotaria de Natal (nem o segunde prémio, nem o terceiro, nem o quarto, nem o quinto...) e as malas demoraram meia hora a sair no aeroporto da portela.
Nenhuma novidade, portanto.
Sentada em frente à porta de embarque, a ouvir o senhor que ligava a pedir a alguém que não se esquecessem de o ir buscar ao aeroporto, e a contar que tinha vomitado no autocarro, senti-me bem. Primeiro, porque eu não tinha vomitado, segundo, porque aquela pessoa, e todas as outras pessoas naquele perímetro, eram como eu. Porque são do Porto, do Benfica ou do Sporting, porque sabem que as irmãs do Cristiano Ronaldo são pindéricas, porque acham piada ao Ricardo Araújo Pereira, porque vivem numa República, porque conhecem pelo menos uma canção do Quim Barreiros, porque sabem a que sabe um pastel de nata e porque comem bolo rei no Natal. Porque sabem o significado da saudade. Que mais ninguém sabe. Pessoas que nunca tinha visto, pessoas que nunca voltarei a ver, pessoas que me fizeram sentir em casa, quando ainda estava longe. Desconhecidos anónimos que me recordaram o meu eu, sem comidas com primeiro e segundo pratos, sem discussões sobre independência, escândalos e histórias volvidas na ferrugem dos tempos, sem filmes e series dublados, sem conversas sobre artistas, políticos e desportistas que eu nunca vi mais gordos. Nem mesmo depois das festas natalícias.
Acho importante lembrarmo-nos sempre de onde estamos. Acho ainda mais importante nunca nos esquecermos de onde viemos. Mas acho que o supremo máximo da importância é….
….. voltar a casa no Natal!  



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