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A mostrar mensagens de Março, 2013

Hoje é quinta-feira

Quando trabalhava em Portugal a quinta-feira era sempre um dia especial. Por 3 singulares razoes: antecedia a sexta, havia lasanha no menú do almoço e recebíamos a Visao. Destas 3 razoes a única que nao falhava nunca era a sexta-feira no dia seguinte. A lasanha acabava-se, se uma pessoa se despistava, e a Visao era alvo de um ataque bárbaro. Estávamos todos ansiosos, sedentos, desejosos por ler a crónica do Ricardo Araújo Pereira. Entao batíamos de frente, digladiávamos que nem leoes na arena e, tendo perdido o combate, rosnávamos enquanto ouvíamos as gargalhadas de quem já a estava ler. Mas valia sempre a pena.  A luta, o pique, o sofrimento! Tudo era compensado naquela página dividida en duas colunas de ironia e bom humor. Há 5 anos que a minha quinta-feira deixou de ser especial para ser só um dia fofinho por ser véspera de véspera de fim de semana. Há 5 anos que nao recebo a Visao, nem a vejo nas bancas. Mas como dizem nos lugares comuns "há coisas que nuncam mudam" e

Palavras para quê?!

As palavras são, em si mesmas, um antagonismo. Porque são pré-fabricadas e impostas ditatorialmente, ao mesmo tempo que são a nossa escada de incêndio para a liberdade.   Isto não vem a propósito de nada em concreto. Não é sobre a reviravolta Disneybólica do Barça na Champions League, nem sobre o cheiro da Primavera, nem o sobre o novo Papa Argentino, nem sobre os bancos do Chipre. É sobre tudo. Tudo o que pensamos, tudo o que sentimos. Tudo. Podemos dizer tudo com as palavras que quisermos. E vai daí talvez não. Sendo palavras feitas, dizemos o que queremos ou o que querem que digamos? Quem foi que decidiu que que céu se chamava céu e chão se chamava chão? Com base em que lógica, em que direito, em que constituição? Podiam, perfeitamente, chamar-se ao contrário. E o contrário podia chamar-se chocolate. Ou chantilly. Que mania mais humana essa de pôr nomes às coisas. De querer definir o universo e as suas dialéticas infinitas até ao último algarismo errante. Será que não se

Já é Primavera!

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Hoje acordei feliz. Com o inconsciente saber de que já era Primavera. Que é como quem diz, que já se acabou o Inverno. E o aquecedor manteve-se triste e silencioso, por estar apagado. Pensei logo na saia comprida cor-de-rosa , no lenço das borboletas e no verniz azul esverdeado. Levantei-me da cama num salto sorridente, quase sem sono pendente. O sol espreitava, indiscreto, pela janela ainda por despertar. Vai ser uma boa Primavera. Avancei, formosa no meu pijama dos aristogatos e segura nas minhas havaianas negras, para abrir a persiana e vislumbrar o maravilhoso dia que por ali se estendia, desde o Tibidabo até à praia do Porto Olímpico. Então, com o primeiro puxão, a persiana caiu. Para não mais se levantar. Pumbas! Qual Primavera prometida. Sim, já é Primavera na minha varanda. Mas eu não a posso ver. 

Depois dos 25...

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Já não me lembrava bem como era fazer bodycombat. Tinha nuances do meu rabo de cavalo em saltos intempestivos e da minha respiração sôfrega, numa busca desesperada por oxigénio. Mas eram apenas nuances, desarrumadas numa gaveta da memória a longo prazo. Claro que quando o professor me perguntou se já tinha feito bodycombat eu dei-lhe um sim rotundo e orgulhoso, qual pavão real abanando as penas coloridas. Dez minutos depois, arfante, suada e despenteada, dei por mim a pensar: Socorroooo! Ainda faltam 50 minutos, não vou aguentar! Aguentei, forte e firme, que depois de me ter pavoneado não me restava outro remédio. Entre socos, pontapés e pontapés com salto incorporado, o tempo foi passando, meio em jeito de sessão terapêutica (fantasiar o espancamento de uma ou várias caras que nos incomodam é altamente relaxante), meio em jeito de tortura medieval non stop. Até que a 15 minutos do fim (sim, tinha o relógio de parede sob controlo), o professor parou. Parou de saltar, par